quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Maior de Todas as Histórias de Amor


"Antes que Eu criasse o mundo e todas as coisas, Eu já pensava em você… Eu já o conhecia pelo nome e desejava que você viesse ao banquete da vida. Queria que você participasse da Minha Vida e des­frutasse de toda a riqueza da Minha divindade… Foi por isso que Eu o criei. Eu o teci no ventre de sua mãe, cuidadosamente, e o amei com amor eterno. Eu o fiz à Minha semelhança para que você pudesse compartilhar Comigo de todos os Meus bens inefáveis. Dei-lhe faculdades e potências que não coloquei em nenhum dos outros seres criados: inteli­gência, vontade, memória, consciência, capacidade de amar; de sonhar; de sorrir; de chorar, de cantar; de falar… Não sei se você já percebeu que você é o único ser vivo capaz de sorrir, abraçar e derramar lágrimas de emoção diante da dor e do belo. Como Eu fiz você belo!

As pedras não sonham como você, as árvores não falam como você e os animais não podem sorrir e cantar como você. Só a você Eu permiti que fosse assim tão cheio de dons, porque só você foi feito à Minha Imagem.

Eu o fiz para Mim. Eu o fiz para viver Comigo sempre, na terra e no céu. Eu sou o Seu Senhor. Você é Meu. Sou louco de amor por você e não aceito perdê-lo de forma alguma, porque você é Minha criatura predileta, Minha glória sobre a terra, Minha maior honra. Eu o amei tanto que quis lhe dar o maior dom: a liberdade. Meu amor por você exigia que Eu o fizesse livre, capaz de decidir pela inteligência, e não escravo dos instintos como os animais irracionais. O amor exige que se dê a liberda­de! Eu sabia que você poderia usar mal desta liberdade. Eu sabia, sim, que você poderia até Me rejeitar, Me abandonar e não querer ouvir a Minha voz e nem ouvir os Meus conselhos… e até me virar as costas. Mas, se Eu não lhe desse a liberdade, você não seria Minha Imagem; seria apenas como um robô ou como uma marionete. Por isso Eu o fiz livre. Não quis você limitado e frio como um computador ou como um tele-guiado.

Na verdade, fiquei desesperado quando você Me rejeitou, Me abandonou e achou que podia ser feliz sem Mim. Fiquei angustiado quando você matou em si mesmo a vida eter­na que lhe dei, separando-se de Mim que sou a fonte da Vida. Sofri demais quando você virou-Me as costas e abandonou o céu e a Mim para sempre. Então, no Meu amor infinito por você, resolvi vir ao mundo para salvá-lo. Me fiz como você, de carne e osso. Nasci de uma santa mulher, que o Pai tinha escolhido e preparado desde a eternidade. Eu assumi a sua natureza humana e nela escondi a Minha divindade para poder falar com você e mostrar-lhe ansiosamente o Caminho da vida.

E depois, depois de lhe ter mostrado todo o Meu amor, com Minhas palavras e milagres, quis amá-lo até o extremo Sacrifício, para que você nunca duvidasse do meu amor por você. Eu Me deixei matar em seu lugar, conscien­temente, para que a Minha morte destruísse a sua, e a Minha ressurreição lhe devolvesse vida eterna junto de Mim. Nunca alguém sofreu e amou tanto quanto Eu sofri e amei você. O Cria­dor morreu por Sua criatura. Como disse uma vez ao Meu querido filho Santo Antônio: “Eu vim até você para que você pudesse voltar para Mim”. E mais ainda: Para ficar com você para sempre, Eu Me fiz pão e vinho. Sei que você não pode compreender as loucuras do meu amor por você…, mas Eu o fiz para poder ficar com você.

Quando se ama alguém, não se consegue ficar lon­ge da pessoa amada. Fiz tudo isso por você, por amor a você. Mas, infelizmente, você ainda não reconhece o Meu amor. Você ainda Me despreza e abandona. Eu lhe ofereço a Minha vida nos Evangelhos, mas você prefere outras leituras vazias… e às vezes perigosas. Eu lhe ofereço o Meu próprio Corpo imolado e Meu Sangue derramado, testemunhas do Meu amor, mas você os des­preza totalmente, dizendo: “Isso é coisa de velhos e de crianças…” Eu lhe ofereço a Minha presença viva em todos os Sacrários, mas você não acredita que estou ali…

Sabe, eu quero te confidenciar, o que mais fere o meu coração é a sua ingratidão e a sua indiferença. Você entra na Minha casa, a Igreja, e não Me olha, não Me fala, não se une a Mim… Sua desconfiança Me sangra o coração. E Eu, esperando ansiosamente, dese­jando ao menos por um minuto receber a retribuição do seu amor. Mas parece que o mundo malvado deixou você cego, surdo e mudo para Mim.

Será que o mundo matou o Meu amor em você? O que mais eu poderia ter feito por você? Não foi bastante a Minha Cruz?… O pior de tudo é que por causa disso você perdeu a paz, perdeu o sentido da vida e vive agora sem rumo, triste e sofredor, envelhecido antes da hora. Eu derramei todo o Meu sangue na cruz e morri de dor; para que os seus pecados fossem perdo­ados, mas você despreza o Meu perdão, despreza os Meus sacerdotes e o sacramento da Penitência.

Como você é ingrato Comigo! Mas Eu continuo aqui a esperá-lo; nunca Me cansarei porque você é Meu e tenho ciúme de você. Sei que um dia você virá. Quando a “mentira do mundo” cair a seus pés, você se lembrará de Mim. Então, como aquele Pai, Eu farei uma grande festa para você, pois como entendeu perfeitamente o Meu querido Agostinho de Hipona: “Eu o criei para Mim, e o seu coração vive inquieto enquanto não repousar em Mim.”

Prof. Felipe Aquino
Fonte: Blog do Professor Felipe Aquino, acessível no link

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Graça de Deus


O refrão de uma música muito conhecida diz que “a Tua graça é maior que a vida”, Senhor! A vida é o dom maior que Deus dá ao ser humano e, ainda assim, Ele vai além e dá também a graça. E a graça de Deus é maior que a vida!

Jesus, que é Deus o qual assume a natureza humana e a leva de volta à perfeição, como fora por Ele criada em santidade e pureza, é “cheio de graça e fidelidade”. Maria é cheia de graça, como foi chamada pelo anjo. Assim, estar cheio de graça é realizar em perfeição a natureza humana, de forma que esta reconhece a si mesma plenamente humana diante de Deus e, então, Deus a torna plena e a realiza em total perfeição novamente. Dá-se, então, um laço eterno entre o Criador e a criatura, entre o Pai, que é Deus eterno e onipotente, e o filho, que é o ser humano elevado à dignidade da convivência face a face com o seu Deus e Senhor.

A graça de Deus é o que plenifica o ser humano em todos os aspectos; a graça de Deus é o que faz o ser humano realmente ser pessoa à imagem e semelhança de seu Criador. Sem a graça de Deus, a vida esvazia-se e, com a graça de Deus, a vida torna-se plena e realiza-se por inteiro. A graça de Deus conduz o ser humano novamente ao estado em que foi criado, isto é, o estado em que pode contemplar o seu Criador face a face, em santidade e harmonia, num estado de plena realização e comunhão diante da presença do Senhor Deus.

A graça de Deus é um estado de total entrega à vontade do Senhor, com absoluta confiança Nele e plena certeza de Ele é tudo que importa na vida. A graça de Deus é a única coisa capaz de preencher a alma com tudo de que esta necessita infinitamente, ou seja, o amor incondicional e a paz verdadeira, os quais somente Deus pode dar.

Não há felicidade nem bem estar na vida que possa ser encontrado no mundo que consiga subsistir sem a graça de Deus. Tudo cai no vazio e no nada quando não há a graça de Deus. Ora, Deus é o Absoluto, o Criador que do nada tira a criação inteira e mantém tudo existindo por sua vontade e infinito amor. Assim, a criação inteira reflete a glória de Deus e anseia por sua graça, a qual é a única coisa que pode permitir que a mesma volte à contemplação de seu Criador.

Somente na graça de Deus o ser humano pode estar em comunhão com o seu Criador, vivendo plenamente em verdade, santidade e humildade. A graça de Deus abre o coração do ser humano para entender a vontade do Senhor e, desta forma, aproximar-se Dele como amigo. Jesus mesmo afirmou certa vez “Eu os chamo de amigos” para mostrar que aqueles que estão vivendo na graça de Deus podem participar de sua intimidade.

A graça de Deus dá-se quando o ser humano diz, como Maria e tantos profetas e santos, conhecidos e anônimos, disseram: “Eis-me aqui, Senhor! Faça-se em mim conforme a tua vontade.” Nesse momento, acontece a realização plena do ser humano!

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Importância de Ler e Escrever


Vivemos numa cultura grafocêntrica e, portanto, a leitura é visto como algo bom que é capaz de oferecer condições de ascensão social. Porém, ter acesso à leitura não é algo igualmente possível para todas as pessoas. Pessoas de classe social mais elevada, obviamente, possuem todas as condições para desfrutar da leitura, enquanto que as pessoas de classe social mais baixa têm dificuldades de acesso à mesma. Para piorar mais ainda este contexto, vivemos num país que não desenvolveu uma cultura de valorização do livro e de incentivo à leitura. Em, nosso país dá-se mais valor à cultura do áudio-visual, representado primeiramente pelo rádio e, hoje em dia, pela televisão.

Ora, se vivemos numa sociedade grafocêntrica, na qual ler e escrever são requisitos básicos para que cada um se realize plenamente como pessoa humana capaz de agir e transformar o meio em que vive e capaz de interagir com os seus semelhantes. Ao dominar de forma eficiente a leitura e a escrita, é possível a melhoria das condições de vida social, política e econômica do indivíduo. Caso contrário, a pessoa é lançada impiedosamente à margem da sociedade. Neste sentido, há outros fatores que também devem ser considerados mas, de uma forma geral, a marginalização oriunda da incapacidade de ler e escrever é a raiz de muita miséria e condições submiseráveis que transformam o ser humano num verdadeiro bicho.

De qualquer forma, é preciso ter consciência de que existe um processo interativo entre texto e leitor. Daí se conclui que ler não é um ato passivo, mas uma interação dinâmica entre o leitor e o texto. Assim, por ser uma interação dinâmica, a leitura é um processo político, pois ela é um instrumento de reprodução e também um espaço de contradição.

Neste sentido, considere-se o fato de que nos primeiros tempos da Igreja os discípulos sentiram a necessidade de registrar por escrito as palavras de Jesus enquanto esteve pregando na Galileia. Tinham consciência de que os ensinamentos do Senhor somente seriam transmitidos às gerações futuras através da escrita e da leitura. E, mais ainda, a escrita do que o Senhor disse a eles se manteria sem alterações de doutrina e sentido, já que a transmissão oral naturalmente vai acumulando ao longo do tempo as impressões próprias de quem a transmite.

Jesus aprendeu a ler e a escrever; os judeus, de uma maneira geral, davam grande importância ao aprendizado da leitura e da escrita. Se naqueles tempos antigos já se pensava assim, quanto mais hoje em dia, com tantas facilidades, deve-se agir para que todos possam aprender a ler e a escrever.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Discurso de Zilda Arns no Haiti - En Español


Agradezco la honrosa invitación que me han hecho. Quiero manifestar mi gran alegría por estar aquí con todos ustedes en Puerto Príncipe, Haití, para participar de la asamblea de los religiosos.

Como hermana de 2 Franciscanos e 3 hermanas religiosas de la Congregación de las Hermanas Escolares de Nuestra Señora, estoy mucho feliz entre todos ustedes. Doy gracias a Dios por esto momento.

En realidad, todos nosotros estamos aquí, en este encuentro, porque sentimos dentro de nosotros una fuerte llamada a difundir en el mundo la buena noticia de Jesús. La buena noticia, transformada en acciones concretas, es luz y esperanza en la conquista de la PAZ en las familias y en las naciones. La construcción de la Paz empieza en el corazón de las personas y tiene su fundamento en el Amor, que tiene sus raíces en la gestación y en la primera infancia, y se transforma en Fraternidad y corresponsabilidad social.

La Paz es una conquista colectiva. Tiene lugar cuando impulsamos a las personas, cuando promovemos los valores culturales y éticos, las actitudes y prácticas de búsqueda del bien común, que aprendemos de nuestro Maestro Jesús: “Yo he venido para que todos tengan vida y la tengan en abundancia.” (Jn 10, 10)

Se espera que los agentes sociales sigan, además las referencias éticas y morales de nuestra Iglesia, sean como Ella, maestra en orientar a las familias y comunidades, especialmente en el área de salud, educación y derechos humanos. De este modo podemos formar masa crítica en las comunidades cristianas y de otras religiones, a favor de la protección del niño desde la concepción, y más excepcionalmente hasta los seis años, y del adolescente. Debemos esforzarnos para que nuestros legisladores elaboren leyes y los gobiernos ejecuten políticas públicas que incentiven la calidad de educación integral de los niños y salud, como prioridad absoluta.

El pueblo siguió Jesús porque tenía palabras de esperanza. Así nosotros somos llamados a anunciar experiencias positivas y caminos que lleven las comunidades, familias el país a serien más justos y fraternos.

Como discípulos y misioneros, invitados a evangelizar, sabemos que la fuerza propulsora de la transformación social está en la práctica del más grande de todos los mandamientos de la Ley de Dios: el Amor, expresado en la solidaridad fraterna, capaz de mover montañas. “Amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a nosotros mismos” significa trabajar por la inclusión social, fruto de la Justicia; significa no tener prejuicios, aplicar nuestros mejores talentos en favor de la Vida Plena, prioritariamente de aquellos que más lo necesitan. Sumar esfuerzos para alcanzar los objetivos, servir con humildad y misericordia, sin perder la propia identidad. Todo este caminar necesita la comunicación constante para iluminar, animar, fortalecer y democratizar nuestra Misión de Fe y Vida.

Creemos que esta transformación social exige una inversión máxima de esfuerzos para el desarrollo integral de los niños. Este desarrollo empieza cuando el niño se encuentra aún en el vientre sagrado de su madre. Los niños, cuando están bien cuidados, son semillas de Paz y Esperanza. No existe ser humano más perfecto, más justo, más solidario y sin prejuicios que los niños.

Por algo dijo Jesús: “… si ustedes no se hacen como estos niños, no entrarán en el Reino de los Cielos” (Mt 18, 3). Y “Dejen que los niños vengan a mí, pues de ellos es el Reino de los Cielos” (Lc 18, 16). Hoy voy a compartir con ustedes una verdadera historia de amor e inspiración divina, un sueño que se hizo realidad. Como les ocurrió a los discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), “Jesús caminaba todo el tiempo con ellos. Lo reconocieron al partir el pan, símbolo de la vida.” En otro pasaje, cuando la barca en el mar de Galilea estaba a punto de hundirse bajo las olas violentas, allí estaba Jesús con ellos, para calmar la tormenta. (Mc 4, 35-41).

Con alegría voy a contarles lo que “he visto y de lo que he sido testigo” a lo largo de 26 años, desde la fundación de la Pastoral da Criança en septiembre de 1983. Aquello que era una semilla, que empezó en el pueblo de Florestópolis, estado de Paraná, en Brasil, se ha convertido en Organismo de Acción Social de la Conferencia Nacional de los Obispos de Brasil, presente en 42.000 comunidades pobres y en 7.000 parroquias de todas las Diócesis de Brasil.

Por la fuerza de la solidaridad fraterna, una red de 260 mil voluntarios, de los cuales 141 mil son lideres que viven en comunidades pobres, 92% son mujeres, e participan permanentemente en la construcción de un mundo mejor, más justo y más fraterno, al servicio de la Vida y la Esperanza. Cada voluntario dedica el por lo medio de 24 horas al mes a esta Misión transformadora de educar a las madres y familias pobres, compartir el pan de la fraternidad y generar conocimientos para la transformación social.

El objetivo de la Pastoral da Criança es reducir las causas de la desnutrición y la mortalidad infantil, promover el desarrollo integral de los niños, desde su concepción hasta los seis años de edad. La primera infancia es una etapa decisiva para la salud, la educación, la consolidación de valores culturales, el cultivo de la fe y la ciudadanía, con profundas repercusiones a lo largo de la vida.

Un poco de historia:

Soy la decimosegunda de 13 hermanos, cinco de ellos son religiosos. Tres Hermanas religiosas y dos sacerdotes franciscanos. Uno de ellos es D. Paulo Evaristo, el Cardenal Arns, Arzobispo emérito de Sao Paulo, conocido por su lucha a favor de los Derechos Humanos, principalmente durante los veinte años de la dictadura militar de Brasil.

En mayo de 1982, al volver de una reunión de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), en Ginebra, D. Paulo me llamó por teléfono por la noche. En aquella reunión, James Grant, entonces Director Ejecutivo de UNICEF, le habló con insistencia sobre el SUERO ORAL. Considerado como el mayor adelanto de la medicina del siglo pasado, ese suero era capaz de salvar de la muerte a millones de niños que podrían morir por deshidratación debida a la diarrea, una de las principales causas de mortalidad infantil en Brasil y en el mundo. James Grant logró convencer a D. Paulo para que motivara a la Iglesia Católica a enseñar a las madres a preparar y administrar el suero oral. Esto podría salvar millares de vidas.

Viuda desde hacía cinco años, yo estaba, aquella noche histórica, reunida con los cinco hijos, de entre nueve y diecinueve años, cuando recibí la llamada telefónica de mi hermano D. Paulo. Me contó lo que había pasado y me pidió que reflexionara sobre ello.

¿Cómo hacer realidad la propuesta de la Iglesia a ayudar a reducir la muerte de los niños? Yo me sentía feliz ante este nuevo desafío. ¡Era lo que más deseaba: educar a las madres y familias para que supieran cuidar mejor de sus hijos!

Creo que Dios, en cierto modo, me había preparado para esta misión. Basada en mi experiencia como médica pediatra y especialista en Salud Pública y en los muchos años de dirección de los servicios públicos de salud materno-infantil, comprendí que, además de mejorar la calidad de los servicios públicos y facilitarles a las madres e niños el acceso a ellos, lo que más falta les hacía a las madres pobres era el conocimiento y la solidaridad fraterna, para que pudieran poner en práctica algunas medidas básicas sencillas y capaces de salvar a sus hijos de la desnutrición y la muerte, como por ejemplo la educación alimentar y nutricional para las embarazadas y sus niños, la lactancia materna, las vacunas, el suero casero, el control nutricional, además de conocimientos sobre señales y síntomas de algunas enfermedades respiratorias y cómo prevenirlas.

Me vino a la mente entonces la metodología que utilizó Jesús para saciar el hambre de 5.000 hombres, sin contar a las mujeres y los niños. Era de noche y tenían hambre. Los discípulos le dijeron a Jesús que lo mejor era que se fueran a sus casas, pero Jesús les ordenó: “Denles de comer ustedes mismos”. El apóstol Felipe le dice a Jesús que no tenían dinero para comprar comida para tanta gente. Andrés, hermano de Simón, señaló a un niño que tenía dos peces y cinco panes. Y Jesús mandó que se sentaran en grupos de cincuenta a cien personas (en pequeñas comunidades). Entonces pensé: ¿Por qué mueren millones de niños mueren por motivos que se pueden fácilmente prevenir? O ¿cuál es la causa de que se vuelvan violentos y criminales en la adolescencia?

Recordé el inicio de mi carrera, cuando me desafié a mí misma a querer disminuir la mortalidad infantil y la desnutrición. Venían a mi memoria miles de madres que cambiaban la leche materna por un biberón diluido en agua sucia. Otras madres que no vacunaban a sus hijos, cuando todavía no había cesta básica en el Centro de Salud.

Otras madres que limpiaban la nariz a todos sus hijos con el mismo trapo, o pegaban a sus hijos y los humillaban cuando hacían pipí en la cama. Y todavía más triste, cuando el padre llegaba a la casa borracho. Al oír el llanto de hambre y de cariño de sus hijos, les pegaba incluso cuando eran muy pequeños. Se sabe, según los resultados de investigaciones de la OMS, cuya publicación acompañé en 1994, que los niños maltratados antes de un año de edad tienen una tendencia significativa a la violencia, y con frecuencia se hacen criminales antes de los 25 años.

¿La Iglesia, que somos todos nosotros, qué deberíamos hacer?

Tuve la seguridad de seguir la metodología de Jesús: organizar al pueblo en pequeñas comunidades; identificar líderes, familias con embarazadas y niños menores de seis años.

Los líderes que se dispusieran a trabajar voluntariamente en esta misión de salvar vidas, serían capacitados, en el espíritu de fe y vida, y preparados técnica y científicamente, en acciones básicas de salud, nutrición, educación y ciudadanía. Serían acompañados en su trabajo para que no se desanimaran. Tendrían la misión de compartir con las familias la solidaridad fraterna, el AMOR, los conocimientos sobre los cuidados con las embarazadas y los niños, para que éstos estén sanos y felices. Así como Jesús ordenó que mirasen si todos estaban saciados, tendríamos que implantar un sistema de informaciones, con algunos indicadores de fácil comprensión, incluso por líderes analfabetos o de baja escolaridad. Y ya veía ante mí muchos cestos de sabiduría y amor aprendidos con el pueblo.

Sentí que ahí estaba la metodología comunitaria, pues podría desarrollarse a gran escala por las diócesis, parroquias y comunidades. No solamente para salvar vidas de niños, sino también para construir un mundo más justo y fraterno. Sería la misión del “Buen Pastor”, que está atento a todas las ovejas, pero da prioridad a aquéllas que más lo necesitan. Los pobres y los excluidos.

En aquella maravillosa noche, diseñé en el papel, una comunidad pobre, donde identifiqué familias con embarazadas y niños menores de seis años y líderes comunitarios, tanto católicos como de otras confesiones y culturas, para llevar adelante acciones de una manera ecuménica, pues Jesús vino para que “todos tengan Vida y Vida en abundancia” (Juan 10,10). Estos es lo que necesita ser hecho aquí en Haití: hacer un mapa de las comunidades pobres, identificar los niños menores de 6 anos y sus familias, y lideres comunitarios que desean trabajar voluntariamente.

Desde la primera experiencia, la Pastoral da Criança cultivó la metodología de Jesús, que El aplicaba a gran escala. En Brasil, en más de 40.000 comunidades, de 7.000 parroquias de todas las 272 Diócesis y Prelaturas. Se está extendiendo, gradualmente, a otros veinte países. Éstos son, en América Latina y el Caribe: Argentina, Bolivia, Colombia, Paraguay, Uruguay, Perú, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haití, Honduras, Costa Rica y México; en África: Angola, Guinea-Bissau, Guinea Conakry y Mozambique y en Asia: Filipinas y Timor del Este.

Para organizar mejor el compartir las informaciones y la solidadreidad fraterna entre las madres y familias vecinas, las acciones se basan en tres estrategias de educación y comunicación: individual, grupal y de masas. La Pastoral da Criança utiliza simultáneamente las tres formas de comunicación para reforzar el mensaje, motivar y promover cambios de conducta, fortaleciendo las familias con informaciones sobre como cuidar de los niños, promoviendo la solidariedad fraterna.

La educación y la comunicación individual se hacen a través de la Visita Domiciliaria Mensual a las familias con embarazadas y niños. Los líderes acompañan a las familias vecinas en las comunidades más pobres, en áreas urbanas y rurales, en aldeas indígenas y en quilombos, en las áreas de la ribera del Amazonas. Atraviesan ríos y mares, suben y bajan montes de gran pendiente, caminan leguas, para oír los clamores de las madres y familias, educarlas y fortalecer la Paz, la Fe y los conocimientos. Intercambian ideas sobre salud y educación de los niños y de las embarazadas; enseñan y aprenden.

Con mucha confianza y ternura, fortalecen el tejido social de las comunidades, lo que lleva a la inclusión social.

Motivados por la Campaña Mundial patrocinada por la Organización de las Naciones Unidas (ONU), en 1999, con el tema “Una vida sin violencia es un derecho nuestro”, la Pastoral da Criança incorporó una acción permanente de prevención de la violencia con el lema “La Paz comienza en casa”. Utilizó como una de las estrategias de comunicación, la distribución de seis millones de folletos con los “10 Mandamientos para lograr la paz en la familia”, debatidos en las comunidades y en las escuelas, de norte a sur del país.

Las visitas, entre tantas otras acciones, sirven para promover la Lactancia Materna, una escuela de diálogo y compartir, principalmente cuando se da como alimento exclusivo hasta los seis meses y se continúa dando como alimento preferente hasta más de un año, incluso hasta más de dos años, complementado con otros alimentos saludables. La succión adapta los músculos y huesos para una buena dicción, una mejor respiración y una arcada dental más saludable. El cariño de la madre acariciando la cabeza del bebé mejora la conexión de las neuronas. La psicomotricidad del niño que mama del pecho es más avanzada. Tanto es así que se sienta, anda, y habla más pronto, aprende mejor en la escuela. Es el factor esencial para el desarrollo afectivo y protección de la salud de los bebés, para toda la vida. La solidaridad despunta, promovida por las horas de contacto directo con la madre. Durante la visita domiciliaria, la educación de las mujeres y de sus familias eleva la autoestima, estimula los cuidados personales y los cuidados con los niños. Con esta educación de las familias se promueve la inclusión social.

La educación y la comunicación grupal tienen lugar cada mes en miles de comunidades. Es el Día de la Celebración de la Vida. Momento dedicado al fortalecimiento de la fe y de la amistad entre las familias. Además del control nutricional, están los juguetes y juegos con los niños y la orientación sobre ciudadanía. En este día las madres comparten prácticas de aprovechamiento adecuado de alimentos de la región de bajo coste y alto valor nutritivo. Las frutas, hojas verdes, semillas y tallos, que muchas veces no son valorados por las familias.

Otra oportunidad de formación grupal es la Reunión Mensual de Reflexión y Evaluación de los líderes en la comunidad. El objetivo principal de esta reunión es discutir y establecer soluciones para los problemas encontrados.

Estas acciones integran el sistema de información de la Pastoral da Criança para poder acompañar los esfuerzos realizados y sus resultados a través de Indicadores. La desnutrición fue controlada. De mas de 50% de desnutridos en el comienzo, hoy está en el 3,1%. La mortalidad infantil fue drásticamente reducida y hoy está en 13 muertes por mil nacidos vivos en las comunidades con Pastoral da Criança. El índice nacional es 23,3, pero se sabe que las muertes en comunidades pobres, donde está la Pastoral da Criança, es mas grande que el por lo medio general. En 1982 la mortalidad infantil en Brasil fue 82,8 por mil nacidos vivos. Estos resultados han servido de base para conquistar entidades, como el Ministerio de Salud, UNICEF, Banco HSBC y otras Empresas. Ellas, nos apoyan en las capacitaciones y en todas las actividades básicas de salud, nutrición, educación y ciudadanía. EL COSTE NIÑO/ MES es de menos de UN DÓLAR.

En relación a la educación y a la comunicación de masas presentaré tres experiencias concretas de cómo la comunicación es un instrumento de defensa de los derechos de la Infancia.

Materiales impresos:

El material impreso diseñado específicamente para ayudar en la formación del líder de la Pastoral da Criança, lo instructores y los multiplicadores y servir como herramienta de trabajo en la tarea de guiar las familias y comunidades sobre cuestiones de salud, nutrición, educación y ciudadanía. Además del Guía de la Pastoral da Criança, se puso en marcha publicaciones como el Manual del Facilitador, Juguetes y Juegos, Comida y los Huertos Familiares, alfabetización de jóvenes y adultos y la movilización social.

El periódico de la Pastoral da Criança, con una tirada mensual de alrededor de 280 mil, o sea, 3 millones y 300 mil ejemplares al año, y llega a todos los líderes de la Pastoral da Criança. Es una herramienta para la formación continua.

El Boletín Dicas abarca cuestiones relacionadas con la salud y la educación para ciudadanía Está especialmente diseñado para los coordinadores y capacitadores de la Pastoral da Criança. Cada publicación llega a 7 mil coordinaciones.

Para ayudar en la vigilancia de las mujeres embarazadas, la Pastoral da Criança, creó la lazos de amor, tarjetas con consejos sobre el embarazo saludable y un parto. Otros materiales impresos de gran impacto social es el folleto con los 10 mandamientos para la Paz en la Familia. 12 millones de folletos se distribuyeron en los últimos años.

Además de estos materiales impresos, se envía para las comunidades da Pastoral da Crianza material para el labor de pesaje de los niños, tales como balanzas y también cucharas de medir para la rehidratación oral y sacos de juguetes para los niños jugar en el día de celebración vida.

Material de sonido y vídeo:

Otra área en la que la Pastoral da Criança produce materiales es de sonido y la producción de películas educativas. El Show en vivo de la Radio de la Vida, producido y grabado en el estudio de la Pastoral da Crianza, llega a millones de oyentes en todo Brasil. Con los temas de la salud, la educación de la primera infancia y la transformación social, el programa de radio Viva la Vida se emite semanalmente 3.740 veces. Estamos "en el aire", de 2310 horas semanales en todo Brasil. Además, el Programa Viva la Vida también se ejecuta en varios tipos de sistemas de sonido de CD y aparatos en las reuniones del grupo.

La Pastoral da Criança también produce películas educativas para mejorar y dar a conocer su trabajo en las bases. En la actualidad hay 12 títulos producidos que se ocupan de la prevención de la violencia contra los niños, comida saludable, el embarazo, la participación en los Consejos Municipales de Salud, la prevención del SIDA y otros.

Campañas:

Pastoral de la Infancia realiza y colabora en varias campañas para mejorar la calidad de vida de las mujeres embarazadas, familias y niños. Éstos son algunos ejemplos:

a. Campañas de sales de rehidratación oral

b. Campaña de Certificado de Nacimiento: la falta de información, la distancia de la oficina y la burocracia es que las personas se quedan sin un certificado de nacimiento. La movilización nacional para el registro civil de nacimiento que une el estado brasileño y la sociedad para garantizar a cada ciudadano de pleno derecho el nombre y los derechos.

c. Campaña para fomentar la lactancia materna: la leche materna es un alimento perfecto que Dios ha puesto a la disposición en los primeros años de vida. Permanentemente, la Pastoral da Criança, promueve la lactancia materna exclusiva hasta los seis meses, y luego continuar con otros alimentos. Esto protege contra la enfermedad, desarrolla mejor y fortalece el niño.

d. Campaña para la prevención de la tuberculosis, la neumonía y la Lepra: las tres enfermedades siguen afectando a muchos niños y adultos en nuestro país. La Pastoral da Criança prepara materiales específicos de comunicación para educar al público acerca de los síntomas, el tratamiento y los medios de prevención de esta enfermedad.

e. Campaña de Saneamiento: acceso al agua potable y tratamiento de aguas residuales contribuye a reducir la mortalidad infantil. Pastoral de la Infancia en colaboración con otros organismos movilizar a la comunidad a la demanda de tales servicios a los gobiernos locales y utiliza los medios a su alcance para difundir información relacionada con el saneamiento.

f. Campaña de prevención del VIH / SIDA y Sífilis: la prueba de prevención del VIH / SIDA y la sífilis durante el período prenatal, posibilita la disminución de 25% a 1% el riesgo de transmisión al bebé. Pastoral da Criança apoya la campaña nacional para el diagnóstico precoz de estas enfermedades.

g. Campaña para la Prevención de la muerte súbita de bebés "a dormir boca arriba es más seguro": Con el fin de alertar a sobre los riesgos y prevenir hasta el 70% de las muertes súbitas en la infancia, la Pastoral da Criança puso en marcha esta gran campaña, dirigida a los las familias ponen a sus bebés a dormir boca arriba.

h. Campaña para la Prevención del Abuso Infantil: Con esta campaña, la Pastoral da Criança esclarece las familias y la sociedad sobre la importancia de la prevención de la violencia, palizas y abuso sexual. Esta campaña incluye también la distribución del folleto con los 10 mandamientos para la paz en la familia, como un incentivo para mantener a los niños en un ambiente de paz y armonía.

i. Campaña - 20 de noviembre, día de oración y de acción por la niñez: La Pastoral da Criança participa en los esfuerzos globales para la atención integral y protección de los niños y adolescentes, en colaboración con la Red Mundial de Religiones para la Infancia (GNRC.

En diciembre de 2009 cumplí 50 años de médica y, antes de 2002, confieso que nunca había oído hablar en ningún programa de UNICEF, o de la Organización Mundial de la Salud (OMS), ni de otro organismo de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), que estimulase la espiritualidad como componente de desarrollo de la persona. Como una de las integrantes de la comitiva de Brasil en la Asamblea de la ONU de 2002, que reunió a 186 países, a favor de la infancia, tuve la satisfacción de oír la definición final sobre el desarrollo integral del niño que contempla su “desarrollo físico, social, mental, espiritual y cognitivo”. Esto fue un gran avance, y viene al encuentro del proceso de formación y comunicación que hacemos en la Pastoral da Criança. En este proceso se ve a la persona de manera completa e integrada en su relación personal, con el prójimo, con el ambiente y con Dios.

Estoy convencida de que la solución de la mayoría de los problemas sociales está relacionada con la reducción urgente de las desigualdades sociales, con la eliminación de la corrupción, con la promoción de la justicia social, con el acceso a la salud y la educación de calidad, la ayuda mutua financiera y técnica entre las naciones, para la preservación y recuperación del medio ambiente. Como señala el reciente documento del Papa Benedicto XVI, Caritas in Veritate (Caridad en la verdad), “la naturaleza es un don de Dios, y precisa ser usada con responsabilidad”. El mundo está despertando por las señales del calentamiento global, que se manifiesta en los desastres naturales, más intensos y frecuentes. La gran crisis económica demostró la interrelación entre los países.

Para no sucumbir, se exige solidaridad entre las naciones. Es la solidaridad y la fraternidad lo que más necesita el mundo para sobrevivir y encontrar el camino de la Paz.

Final:

Desde su fundación, la Pastoral da Criança invierte en la formación de los voluntarios y en el acompañamiento de niños y embarazadas, en la familia y en la comunidad.

Actualmente son 1.985.347 niños (= un millón novecientos ochenta y cinco mil trescientos cuarenta y siete niños), 108.342 embarazadas (= ciento ocho mil trescientas cuarenta y dos embarazadas) de 1.553.717 familias (= un millón quinientas cincuenta y tres mil setecientas diecisiete familias). Su metodología comunitaria y sus resultados, así como su participación en la promoción de políticas públicas con la presencia en Consejos de Salud, Derechos del Niño y del Adolescente y en otros Consejos han llevado a cambios profundos en el país, mejorando los indicadores sociales y económicos. Los resultados del trabajo voluntario, con la mística del amor a Dios y al prójimo, en sintonía con nuestra madre tierra, que a todos debe alimentar, nuestros hermanos, los frutos y las flores, nuestros ríos, lagos, mares, bosques y animales. Todo esto nos muestra cómo la sociedad organizada puede ser protagonista de su transformación. En este espíritu, al fortalecer los lazos que unen a la comunidad, podemos encontrar las soluciones para los graves problemas sociales, que afectan a las familias pobres.

Como los pájaros, que cuidan de sus hijos al hacer un nido alto de los árboles y en las montañas, lejos de los depredadores, las amenazas y peligros, y más cerca de Dios, debemos cuidar de nuestros niños como un bien sagrado, promover el respeto sus derechos y protegerlos.

¡Muchas gracias!
¡Qué Dios acompañe a todos!

Dra. Zilda Arns Neumann
Médica pediatra y especialista en Salud Pública
Fundadora y Coordinadora de la Pastoral da Criança Internacional
Coordinadora Nacional de la Pastoral de la Persona Idosa

Discurso de Zilda Arns no Haiti - Em Português


Agradeço o honroso convite que me foi feito. Quero manifestar minha grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto Príncipe, Haiti, para participar da assembleia de religiosos.

Como irmã de dois franciscanos e de três irmãs da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estou muito feliz entre todos vocês. Dou graças a Deus por este momento.

Na realidade, todos nós estamos aqui, neste encontro, porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é luz e esperança na conquista da paz nas famílias e nas nações. A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social.

A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum, que aprendemos com nosso mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10).

Espera-se que os agentes sociais continuem, além das referências éticas e morais de nossa Igreja, a ser como ela, mestres em orientar as famílias e comunidades, especialmente na área da saúde, educação e direitos humanos. Deste modo, podemos formar a massa crítica das comunidades cristãs e de outras religiões em favor da proteção da criança desde a concepção, e mais excepcionalmente até os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem políticas públicas que incentivem a qualidade da educação integral das crianças e saúde, como prioridade absoluta.

O povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança. Assim, nós somos chamados para anunciar as experiências positivas e os caminhos que levam as comunidades, famílias e pais a serem mais justos e fraternos.

Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho necessita de comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé e vida. Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.

Não é por nada que disse Jesus: “… se vocês não ficarem iguais a estas crianças, não entrará no Reino dos Céus” (MT 18,3). E “deixem que as crianças venham a mim, pois deles é o Reino dos Céus” (Lc 18, 16).

Hoje vou compartilhar com vocês uma verdadeira história de amor e inspiração divina, um sonho que se fez realidade. Como ocorreu com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), “Jesus caminhava todo o tempo com eles. Ele foi reconhecido a partir do pão, símbolo da vida.” Em outra passagem, quando o barco no Mar da Galileia estava prestes a afundar sob violentas ondas, ali estava Jesus com eles, para acalmar a tormenta. (Mc 4, 35-41).

Com alegria vou contar o que “eu vi e o que tenho testemunhado” a mais de 26 anos desde a fundação da Pastoral da Criança, em setembro de 1983.

Aquilo que era uma semente, que começou na cidade de Florestópolis, Estado do Paraná, no Brasil, se converteu no Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presente em 42 mil comunidades pobres e nas 7.000 paróquias de todas as Dioceses da Brasil.

Por força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil voluntários, dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades pobres, 92% são mulheres, e participam permanentemente da construção de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, em serviço da vida e da esperança. Cada voluntário dedica em média 24 horas ao mês a esta missão transformadora de educar as mães e famílias pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar conhecimentos para a transformação social.

O objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as causas da desnutrição e a mortalidade infantil, promover o desenvolvimento integral das crianças, desde sua concepção até o seis anos de idade. A primeira infância é uma etapa decisiva para a saúde, a educação, a consolidação dos valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania com profundas repercussões por toda a vida.

Um pouco de história:

Sou a 12ª de 13 irmãos, cinco deles são religiosos. Três irmãs religiosas e dois sacerdotes franciscanos. Um deles é D. Paulo Evaristo, o Cardel Arns, Arcebispo emérito de São Paulo, conhecido por sua luta em favor dos direitos humanos, principalmente durante os vinte anos da ditadura militar do Brasil.

Em maio de 1982, ao voltar de uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, D. Paulo me chamou pelo telefone à noite. Naquela reunião, James Grant, então diretor executivo da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), falou com insistência sobre o soro oral. Considerado como o maior avanço da medicina no século passado, esse soro era capaz de salvar da morte milhões de crianças que poderiam morrer por desidratação devido a diarreia, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil e no mundo. James Grant conseguiu convencer a D. Paulo para que motivasse a Igreja Católica a ensinar as mães a preparar e administrar o soro oral. Isto podia salvar milhares de vidas.

Viúva fazia cinco anos, eu estava, naquela noite histórica, reunida com os cinco filhos, entre os nove e dezenove anos, quando recebi a chamada telefônica do meu irmão D. Paulo. Ele me contou o que havia passado e me pediu para refletir sobre ele. Como tornar realidade a proposta da Igreja de ajudar a reduzir a morte das crianças? Eu me senti feliz diante deste novo desafio. Era o que mais desejava: educar as mães e famílias para que soubessem cuidar melhor de seus filhos!

Creio que Deus, de certo modo, havia me preparado para esta missão. Baseada na minha experiência como médica pediatra e especialista em saúde pública e nos muitos anos de direção dos serviços públicos de saúde materna-infantil, compreendi que, além de melhorar a qualidade dos serviços públicos e facilitar às mães e crianças o acesso a eles, o que mais falta fazia às mães pobres era o conhecimento e a solidariedade fraterna, para que pudessem colocar em prática algumas medidas básicas simples e capazes de salvar seus filhos da desnutrição e da morte, como por exemplo a educação alimentar e nutricional para as grávidas e seus filhos, a amamentação materna, as vacinas, o soro caseiro, o controle nutricional, além dos conhecimentos sobre sinais e sintomas de algumas doenças respiratórias e como as prevenir.

Me vem à mente então a metodologia que utilizou Jesus para saciar a fome de 5.000 homens, sem contar as mulheres e as crianças. Era noite e tinham fome. Os discípulos disseram a Jesus que o melhor era que deixassem suas casa, mas Jesus ordenou: “Dai-lhes vós de comer”. O apóstolo Felipe disse a Jesus que não tinham dinheiro para comprar comida para tanta gente. André, irmão de Simão, sinalou a uma criança que tinha dois peixes e cinco pães. E Jesus mandou que se sentassem em grupos de cinquenta a cem pessoas (em pequenas comunidades). Então pensei: “Por que morrem milhões de crianças por motivos que podem facilmente ser prevenidos? O que faz com que eles se tornem criminosos e violentos na adolescência?”

Recordei o inicio da minha carreira, quando me desafiei a querer diminuir a mortalidade infantil e a desnutrição. Vieram a minha mente milhares de mães que trocaram o leite materno pela mamadeira diluída em água suja. Outras mães que não vacinam seus filhos, quando não havia ainda cesta básica no Centro de Saúde. Outras mães que limpavam o nariz de todos os seus filhos com o mesmo pano, ou pegavam seus filhos e os humilhavam quando faziam xixi na cama. E, ainda mais triste, quando o pai chegava em casa bêbado. Ao ouvir o grito de fome e carinho de seus filhos, os venciam mesmo quando eram muito pequenos. Sabe-se, segundo resultados de pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cuja publicação acompanhei em 1994, que as crianças maltratadas antes de um ano de idade têm uma tendência significativa para violência, e com frequência fazem crimes antes dos 25 anos.

A Igreja, que somos todos nós, que devíamos fazer?

Tive a seguridade de seguir a metodologia de Jesus: organizara as pessoas em pequenas comunidades; identificar líderes, famílias com grávidas e crianças menores de seis anos. Os líderes que se dispusessem a trabalhar voluntariamente nessa missão de salvar vidas, seriam capacitados, no espírito da fé e vida, e preparados técnica e cientificamente, em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Seriam acompanhados em seu trabalho para que não se desanimassem. Teriam a missão de compartilhar com as famílias a solidariedade fraterna, o amor, os conhecimentos sobre os cuidados com as grávidas e as crianças, para que estes sejam saudáveis e felizes. Assim como Jesus ordenou que considerassem se todos estavam saciados, tínhamos que implantar um sistema de informações, com alguns indicadores de fácil compressão, inclusive para líderes analfabetos ou de baixa escolaridade. E vi diante de mim muitos gestos de sabedoria e amor apreendidos com o povo.

Senti que ali estava a metodologia comunitária, pois podia se desenvolver em grande escala pelas dioceses, paróquias e comunidades. Não somente para salvar vidas de crianças, mas também para construir um mundo mais justo e fraterno. Seria a missão do “Bom Pastor”, que estão atentos a todas as ovelhas, mas dando prioridade àquelas que mais necessitam. Os pobres e os excluídos.

Naquela maravilhosa noite, desenhei no papel uma comunidade pobre, onde identifique famílias com grávidas e filhos menores de seis anos e lideres comunitários, tanto católicos como de outras confissões e culturas, para levar adiante ações de maneira ecumênica, pois Jesus veio par que “todos tenham Vida e Vida em abundância” (João 10,10). Isto é o que precisa ser feito aqui no Haiti: fazer um mapa das comunidades pobres, identificar as crianças menores de 6 anos e suas famílias e lideres comunitários que desejam trabalhar voluntariamente.

Desde a primeira experiência, a Pastoral da Criança cultivou a metodologia de Jesus, que é aplicada em grande escala. No Brasil, em mais de 40 mil comunidades, de 7.000 paróquias de todas as 272 diocese e prelazias. Está se estendendo a 20 países. Estes são, na América Latina e no Caribe: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras, Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau, Guiné Conakry e Moçambique, e na Ásia: Filipinas e Timor Leste.

Para organizar melhor e compartilhar as informações e a solidariedade fraterna entre as mães e famílias vizinhas, as ações se baseiam em três estratégias de educação e comunicação: individual, de grupo e de massas. A Pastoral da Criança utiliza simultaneamente as três formas de comunicação para reforçar a mensagem, motivar e promover mudanças de conduta, fortalecendo as famílias com informações sobre como cuidar dos filhos, promovendo a solidariedade fraterna.

A educação e comunicação individual se fazem através da “Visita Domiciliar Mensal nas famílias” com grávidas e filhos. Os líderes acompanham as famílias vizinhas nas comunidades mais pobres, nas áreas urbanas e rurais, nas aldeias indígenas e nos quilombos, e nas áreas ribeirinhas do Amazonas. Atravessam rios e mares, sobem e descem montes de encostas íngremes, caminham léguas, para ouvir os clamores das mães e famílias, para educar e fortalecer a paz, a fé e os conhecimentos. Trocam ideias sobre saúde e educação das crianças e das grávidas; ensinam e aprendem.

Com muita confiança e ternura, fortalecem o tecido social das comunidade, o que leva a inclusão social.

Motivados pela Campanha Mundial patrocinadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1999, com o tema “Uma vida sem violência é um direito nosso”, a Pastoral da Criança incorporou uma ação permanente de prevenção da violência com o lema “A Paz começa em casa”. Utilizou como uma das estratégias de comunicação a distribuição de seis milhões de folhetos com “10 Mandamentos para alcançar a paz na família”, debatíamos nas comunidades e nas escolas, do norte ao sul do país.

As visitas, entre tantas outras ações, servem para promover a amamentação materna, uma escola de dialogo e compartilhar, principalmente quando se dá como alimento exclusivo até os seis meses e se continua dando como alimento preferencial além do um ano, inclusive além dos dois anos, complementarmente com outros alimentos saudáveis. A sucção adapta os músculos e ossos para uma boa dicção, uma melhor respiração e uma arcada dentária mais saudável. O carinho da mãe acariciando a cabeça do bebe melhora a conexão dos neurônios. A psicomotricidade da criança que mama no peito é mais avançada. Tanto é assim que se senta, anda e fala mais rápido, aprende melhor na escola. É fator essencial para o desenvolvimento afetivo e proteção da saúde dos bebês, para toda a vida. A solidariedade desponta, promovida pelas horas de contato direto com a mãe. Durante a visita domiciliar, a educação das mulheres e de seus familiares eleva a autoestima, estimula os cuidados pessoais e os cuidados com as crianças. Com esta educação das famílias se promove a inclusão social.

A educação e a comunicação grupal têm lugar cada em cada mês em milhares de comunidades. Esse é o Dia da Celebração da Vida. Momento dedicado ao fortalecimento da fé e da amizade entre famílias. Além do controle nutricional, estão os brinquedos e as brincadeiras com as crianças e a orientação sobre a cidadania. Neste dia as mães compartilham práticas de aproveitamento adequado de alimentos da região de baixo custo e alto valor nutritivo. As frutas, folhas verdes, sementes e talos, que muitas vezes não são valorizados pelas famílias.

Outra oportunidade de formação de grupo é a Reunião Mensal de Reflexão e Evolução dos líderes da comunidade. O objetivo principal desta reunião é discutir e estabelecer soluções para os problemas encontrados.

Essas ações integram o sistema de informação da Pastoral da Criança para poder acompanhar os esforços realizados e seus resultados através de Indicadores. A desnutrição foi controlada. De mais de 50% de desnutridos no começo, hoje está em 3,1%. A mortalidade infantil foi drasticamente reduzida e hoje está em 13 mortos por mil nascidos vivos nas comunidades com Pastoral da Criança. O índice nacional é 2,33, mas se sabe que as mortes em comunidades pobres, onde estão a Pastoral da Criança, é maior que é na média geral. Em 1982, a mortalidade infantil no Brasil foi 82,8 por mil nascidos vivos. Estes resultados têm servido de base para conquistar entidades, como o Ministério da Saúde, Unicef, Banco HSBC, e outras empresas. Elas nos apoiam nas capacitações e em todas as atividades básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. O custo criança/mês é de menos de US$ 1.

Em relação à educação e à comunicação de massas apresentará três experiências concretas de como a comunicação é um instrumento de defesa dos direitos da infância.

Materiais impressos:

O material impresso foi concebido especificamente para ajudar a formação do líder da Pastoral da Criança. Os instrutores e os multiplicadores servem como ferramenta de trabalho na tarefa de guiar as famílias e comunidades sobre questões de saúde, nutrição, educação e cidadania. Além do Guia da Pastoral da Criança, se colocou em marcha publicações como o Manual do Facilitador, Brinquedos e Jogos, Comida e as Hortas Familiares, alfabetização de jovens e adultos e mobilização social.

O jornal da Pastoral da Criança, com tiragem mensal de cerca de 280 mil — ou seja 3 milhões e 300 mil exemplares por ano — chega a todos os líderes da Pastoral da Criança. É uma ferramenta para a formação continua.

O Boletim Dicas abarca questões relacionadas com a saúde e a educação para cidadania. Este especialmente concebido para os coordenadores e capacitadores da Pastoral da Criança. Cada publicação chega a 7.000 coordenadores.

Para ajudar na vigilância das mulheres grávidas, a Pastoral da Criança criou os laços de amor, cartões com conselhos sobre a gravidez e um partos saudável.

Outros materiais impressos de grande impacto social é o folheto com os 10 mandamentos para a Paz na Família, 12 milhões de folhetos foram distribuídos nos últimos anos.

Além desses materiais impressos, se envia para as comunidades da Pastoral da Criança material para o trabalho de pesagem das crianças, objetos como balanças e também colheres de medir para a reidratarão oral e sacos de brinquedos para as crianças brincarem no dia da celebração da vida.

Material de som e vídeo:

Outra área em que a Pastoral da Criança produz materiais é de som e a produção de filmes educativos. O Show ao vivo da Rádio da Vida, produzido e gravado no estúdio da Pastoral da Criança, chega a milhões de ouvintes em todo Brasil. Com os temas de saúde, de educação na primeira infância e a transformação social, o programa de rádio Viva a Vida se transmite semanalmente 3.740 vezes. Estamos “no ar”, de 2.310 horas semanais em todo Brasil. Além disso, o Programa Viva a Vida também se executa em vários tipos de sistemas de som de CD e aparados nas reuniões de grupo.

A Pastoral da Criança também produz filmes educativos para melhorar e dar conhecimento de seu trabalho nas bases. Atualmente há 12 títulos produzidos que sem ocupam na prevenção da violência contra as crianças, comida saudável, na gravidez, e na participação dos Conselhos Municipais de Saúde, na preservação da AIDS e outros.

Campanhas:

A Pastoral da Infância realiza e colabora em várias campanhas para melhorar a qualidade de vida das mulheres grávidas, famílias e crianças. Estes são alguns exemplos:

a. Campanhas de sais de reidratação oral

b. Campanha de Certidão de Nascimento: a falta de informação, a distância dos escritórios e a burocracia fazem com que as pessoas fiquem sem uma certidão de nascimento. A mobilização nacional para o registro civil de nascimento, que une o Estado brasileiro e a sociedade, [busca] garantir a cada cidadão de pleno direito o nome e os direitos.

c. Campanha para promover o aleitamento materno: o leite materno é um alimento perfeito que Deus colocou à disposição nos primeiros anos de vida. Permanentemente, a Pastoral da Criança promove o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, em seguida, continuar, com outros alimentos. Isso protege contra doenças, desenvolve melhor e fortalece a criança.

d. Campanha de prevenção da tuberculose, pneumonia e hanseníase: as três doenças continuam a afetar muitas crianças e adultos em nosso país. A Pastoral da Criança prepara materiais específicos de comunicação para educar o público sobre sintomas, tratamento e meios de prevenção destas doenças.

e. Campanha de Saneamento: o acesso à água potável e o tratamento de águas residuais contribuem para a redução da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança, em colaboração com outros organismos, mobiliza a comunidade para a demanda por tais serviços a governos locais e usa os meios ao seu dispor para divulgar informações relacionadas ao saneamento.

f. Campanha de HIV/Aids e Sífilis: o teste do HIV/Aids e sífilis durante o pré-natal permite a redução de 25% para 1% do risco de transmissão para o bebê. A Pastoral da Criança apoia a campanha nacional para o diagnóstico precoce destas doenças.

g. Campanha para a Prevenção da morte súbita de bebês “Dormir de barriga para cima é mais seguro”: Com a finalidade de alertar sobre os riscos e evitar até 70% das mortes súbitas na infância, a Pastoral da Criança lançou esta grande campanha dirigida às famílias para que coloquem seus bebês para dormir de barriga para cima.

h. Campanha de Prevenção do Abuso Infantil: Com esta campanha, a Pastoral da Criança esclarece as famílias e a sociedade sobre a importância da prevenção da violência, espancamentos e abuso sexual. Esta campanha inclui a distribuição de folheto com os dez mandamentos para a paz na família, como um incentivo para manter as crianças em uma atmosfera de paz e harmonia.

i. Campanha - 20 de novembro, dia de oração e de ação para as crianças: A Pastoral da Criança participa dos esforços globais para a assistência integral e proteção a crianças e adolescentes, em colaboração com a Rede Mundial de Religiões para a Infância (GNRC).

Em dezembro de 2009, completei 50 anos como médica e, antes de 2002, confesso que nunca tinha ouvido falar em qualquer programa da Unicef ou da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou de outra agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que estimulasse a espiritualidade como um componente do desenvolvimento pessoal. Como um dos membros da delegação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas em 2002, que reuniu 186 países, em favor da infância, tive a satisfação de ouvir a definição final sobre o desenvolvimento da criança, que inclui o seu “desenvolvimento físico, social, mental, espiritual e cognitivo”. Este foi um avanço, e vem ao encontro do processo de formação e comunicação que fazemos na Pastoral da Criança. Neste processo, vê-se a pessoa de maneira completa e integrada em sua relação pessoal com o próximo, com o ambiente e com Deus.

Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações, para a preservação e restauração do meio ambiente. Como destaca o recente documento do papa Bento 16, “Caritas in veritate” (Caridade na verdade), “a natureza é um dom de Deus, e precisa ser usada com responsabilidade.” O mundo está despertando para os sinais do aquecimento global, que se manifesta nos desastres naturais, mais intensos e frequentes. A grande crise econômica demonstrou a inter-relação entre os países.

Para não sucumbir, exige-se uma solidariedade entre as nações. É a solidariedade e a fraternidade aquilo de que o mundo precisa mais para sobreviver e encontrar o caminho da paz.

Final:

Desde a sua fundação, a Pastoral da Criança investe na formação dos voluntários e no acompanhamento de crianças e mulheres grávidas, na família e na comunidade. Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.

Muito Obrigada!
Que Deus esteja convosco!
Dra. Zilda Arns Neumann
Médica pediatra e especialista em Saúde Pública
Fundadora e Coordenadora da Pastoral da Criança Internacional
Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa

sábado, 19 de dezembro de 2009

A Virtude da Esperança


“Espera no Senhor!” Eis o que um antigo escritor, quem sabe terá sido um profeta, afirmou há muitos séculos atrás. Como numa noite escura, daquelas em que a tempestade aterroriza o mundo inteiro, a esperança de que a noite avança e caminha rumo à aurora é mais forte do que a tormenta. A esperança de que o sol vai nascer radiante e vencerá, ao surgir, as nuvens negras, é uma certeza que consola o coração. Como o sol que desponta e ilumina a escuridão, a esperança em Deus vence toda e qualquer treva que envolve a alma.

A vida humana é frágil, curta e repleta de desafios, tristezas, frustrações, perdas, aflições, preocupações, solidão e dor. Cada dia traz consigo a incerteza e a incapacidade como algo constante ao viver humano. Tudo é um desafio que não se acaba, desde o momento do despertar até o momento de adormecer. As horas correm preenchidas com afazeres, correrias, discussões, escolhas e perdas, num ritmo inclemente. O tempo vai passando e, por ser um carrasco impiedoso, vai dando fim à doçura da vida, à beleza da amizade, à nobreza da solidariedade e inocência da alma. E o que fazer diante de tudo isto?

A vida humana é forte, pois há no coração de todo homem o desejo infinito de viver e permanecer vivo.

A vida humana possui sobre a terra o tempo que Deus considera o necessário e suficiente para o homem andar em seu caminho e rumar à morada eterna para gozar da vida eterna na presença de seu Criador.

A vida humana é repleta de vitórias, conseguidas muitas vezes a duras penas mas, por isso mesmo, muito valorosas e dignas.

A vida humana é cheia de alegrias, realizações, conquistas, contentamento, conforto, amizades e felicidade. Cada dia traz consigo a maior dádiva de Deus ao ser humano, isto é, a dádiva da vida.

A vida humana é mais completa quando se faz em meio à solidariedade e à amizade. Os laços de amor baseados na pura e simples amizade entre os seres humanos são como que uma sustentação firme durante a caminhada rumo à eternidade. O amor que nasce e se desenvolve baseado na amizade é um reflexo do amor de Deus para com o ser humano.

Por tudo isto, a vida humana é um ato de esperança contínuo. Esta esperança é o que, em conjunto com tantas outras dádivas de Deus, preenche o coração do homem e ergue seu espírito em direção à contemplação de seu Criador.

É a esperança o que é capaz de sustentar a vida em todo o tempo em que esta se desenvolve e se mantém. Nos momentos de dor, é a esperança que consola o coração e lhe dá forças para seguir lutando. Nos momentos de alegria, é a mesma esperança que também faz o coração ser mais leve e grato.

Deus, que nunca deixa o ser humano desamparado, mostra-se presente nesta virtude, a qual é um dom também gratuito do Senhor. Tudo que Deus fez foi por amor gratuito e tudo o que Deus colocou no coração do homem também foi por amor gratuito. A esperança, então, é uma forma de manifestar-se este amor gratuito do Senhor para com seus filhos. Ela é como a voz do Espírito Santo afirmando ao mais íntimo da alma humana a certeza de que Deus está ali ao seu lado.

Portanto, que cada ser humano saiba “esperar no Senhor” com a firme certeza de que o seu Deus e Criador nunca o deixa abandonado.

Nilson Antônio da Silva

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Sagrado


Deus é santo. A criação inteira é obra de Deus; portanto, a criação inteira é santa porque reflete em si a santidade de seu Criador.

O ser humano, em seu relacionamento com o divino, isto é, com Deus seu criador, precisa de sinais visíveis para ver manifestado este relacionamento. Ora, para tanto, o ser humano crê racionalmente que determinados objetos signifiquem algo concreto em seu relacionamento com Deus. A esses objetos o conhecimento humano deu o nome de sagrado. Sendo sagrado, o objeto é retirado do uso comum e a ele é atribuído um uso especial, em ocasiões especiais ou durante o tempo todo. Assim, há um respeito não ao objeto em si, mas àquilo que ele significa. O objeto em si continua sendo fisicamente idêntico a tantos outros; entretanto, pelo que significa, torna-se diferente de qualquer outro similar e passa a merecer o respeito daqueles que porventura o toquem ou vejam. Neste sentido, vale ressaltar que o respeito deve ser tanto daqueles que determinaram o caráter sagrado do objeto quanto – e tanto mais! – daqueles que sabendo ser sagrado o objeto porventura venham a ter contato com o mesmo.

Por isso, tem caráter sagrado toda e qualquer bíblia, seja ela editada por católicos, protestantes ou judeus. Trata-se de livro contendo a Palavra de Deus e, portanto, é sagrado.

Tem também caráter sagrado o livro com as palavras de Maomé bem como os livros com as palavras antigas dos povos do oriente. Aqui se entenda por povos do oriente os povos da Índia, da China, do Japão e de tantas outras terras distantes.

Tem caráter sagrado as imagens, sejam elas pinturas ou esculturas, as quais tantos povos veneram mundo afora. São imagens veneradas por povos ocidentais e orientais, das mais diversas culturas e religiões. São a expressão viva das crenças de cada povo e, ainda, simbolizam para todos os membros de sua sociedade a fé que professam. Portanto, todo e qualquer objeto sagrado merece ser respeitado. Respeitado por todos. Respeitado por aqueles que o consideram sagrado e por aqueles que sabem que o mesmo é considerado sagrado.

Os templos são sagrados e tudo o que neles está também é sagrado. Então, sabemos que as igrejas – todas as igrejas cristãs – são sagradas, sabemos que todos os templos judaicos são sagrados, sabemos que todas as mesquitas são sagradas. Enfim, todos os templos onde o povo se reúne para orar ao seu Criador, em todos e nos mais diversos pontos do mundo, são sagrados e devem ser respeitados. É dever de todos e de cada um respeitar a dignidade de um local sagrado dedicado à oração.

Todo fiel, ao ver o que considera sagrado ser desrespeitado, sente-se também desrespeitado, pois a dignidade de sua fé foi agredida. O desrespeito dado ao templo ou ao objeto sagrado, para o coração do fiel, é a mesma coisa que ser dado a ele mesmo.

Ora, e por quê argumentar tanto a respeito do sagrado? Por um motivo simples! Nos últimos meses, nesta paróquia de Santo Antônio do Monte, quanto desrespeito com o que é sagrado para o povo desta terra foi visto! A imagem de Nossa Senhora das Dores, que fica exposta há várias décadas na igreja matriz, sofreu duas agressões e, o mais grave, houve o roubo de um sacrário e a profanação de hóstias consagradas. Conforme divulgado pelos padres da paróquia durante as missas, várias hóstias foram encontradas espalhadas na rua. É um fato tão grave que fere o coração de cada católico desta cidade e, por extensão, o coração de cada católico do mundo. Mais ainda, fere o coração de Jesus, já tão maltratado pelos pecados dos filhos de Adão e das filhas de Eva.

As imagens católicas, em estampas e esculturas, presentes nas igrejas, nas casas e tantos outros locais públicos, são símbolos sagrados para nós católicos. Queremos que elas sejam tratadas com respeito e dignidade, pois são a expressão da fé que professamos. Portanto, o desrespeito dirigido a elas é também dirigido a nós que a elas damos o valor e o significado de objetos sagrados.

A hóstia consagrada, para nós, é o próprio corpo e sangue de Cristo, presente no trigo e no vinho. É o próprio Jesus vivo e presente. Deve ser respeitado. Precisa ser respeitado. É o próprio Jesus Cristo presente em carne e sangue!

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Thanksgiving Prayer


by Nilson Antonio da Silva
Lord, I want to live in holiness!
I want to live according to Thy word in every moment of my life!
I want to live seeking holiness and purity!
I want to live walking always on your way!
I want to live believing in your truth, because Thou are the one Truth!
I want to live drinking fountain of eternal life that only Thou are!

Lord, I want to have the strength to not give up on my road to Thy house!
I want to have strength to escape from the sin that destroys my soul and my life and finally it separates me from Thee.
I want to have strength to go straight toward to the narrow door that opens to the Thy home.
I want to have strength to confront with the world in testimony of Thy name.
I want to have strength to leave me to myself and give myself entirely to Thee to do Thy will.

Lord, I know that Thou are the one true God and I know that Thou are my Lord and my God! I exist only because Thou made me exist. My life just makes sense because Thou give sense of existence to it. Without Thou, Lord, what am I? I am nothing... nothing...

Lord, I want to ignite my heart with love for Thee and I want that Thy love burns in my soul day and night! I want to live according to Thy will and I want to do Thy will! Although I often do not understand, I want to do Thy will.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Pecado Ecológico


A criação toda é uma obra maravilhosa de Deus, perfeita e bela pois reflete em si a perfeição e a beleza do Criador. O universo inteiro, em sua diversidade e grandiosidade, reflete a glória de Deus. Os céus inundados de estrelas e galáxias, os oceanos profundos e cheios de vida, as montanhas e florestas repletas de seres dos mais diversos, enfim, o planeta inteiro glorifica ao seu Criador com sua existência.

Ora, se tudo isso é obra de Deus e foi feito por Deus para coexistir em harmonia e ser um reflexo de sua glória, quando se quebra essa harmonia se está ofendendo a glória e a santidade do Senhor. Mas como ofender o que é infinitamente glorioso e santo? Como pode o homem ofender a glória infinita de Deus? Como pode o homem ofender a santidade infinita de Deus?

A ofensa à glória e à santidade de Deus se dá quando o homem destrói voluntariamente e com plena consciência do que faz a obra criada pelo Senhor Deus. A ofensa se dá não porque Deus possa ser destruído, mas porque o homem destrói o que foi criado por Deus. O homem nada é, nada cria, nada pode. Então, não tem o direito de destruir a obra da qual não é o criador. Mais ainda, o próprio homem é criatura – feito filho de Deus pela graça e misericórdia do próprio Deus – que foi feita para viver em harmonia com toda a criação.

Muitas são as maneiras de se destruir a criação de Deus. As mais graves, pois são irreversíveis, vão desde a destruição da vida no ventre materno à completa extinção de plantas e animais. São absolutamente graves uma vez que, ao serem destruídas, não há como trazê-las de volta. Perdem-se para sempre e o homem não tem como recuperá-las.

Observe este exemplo simples que bem ilustra o desperdício causando destruição à obra de Deus. Um homem resolveu reformar sua casa. Trocou pisos, portas e janelas e pintou as paredes. Quando tudo estava terminado, decidiu trocar os seus cento e vinte móveis. E decidiu fazer isso mesmo vendo que os seus cento e vinte móveis estavam bons para uso, sem quebrados ou carunchados. Ora, todos os seus móveis eram de madeira – que um dia haviam sido árvores cuja utilidade ainda podia ser plenamente gozada – e os novos cento e vinte móveis também seriam de árvores. Para fazer cento e vinte móveis de madeira, quantas árvores devem ser derrubadas? Quantas árvores devem ser destruídas? Dezenas, sem dúvida.

Se estes cento e vinte móveis novos forem feitos de pinho ou de eucalipto, que é madeira de reflorestamento, ainda é aceitável. Mas, normalmente móveis são feitos de madeira nativa! Assim, quantas árvores custarão esses cento e vinte móveis novos que o homem resolveu substituir os que ainda estavam em bom uso em sua casa? Quanta chuva descerá torrencial no terreno sem as árvores e, quem sabe, alagará casas e plantações? Quantos pequenos animais morrerão quando as árvores em que vivem forem arrancadas? O preço é a destruição da obra de Deus!

Poderia o homem argumentar que os móveis antigos seriam doados para uma casa mais simples. Doados? E desde quando isto justifica a troca? E se os móveis estão velhos, porque vão ser doados? Ora, o que não serve mais para alguém também não serve para outro. Acaso o que vai receber a doação é pior do que aquele que doa e merece somente o que não serve mais para o doador? Nem é preciso entrar em detalhes sobre este ponto, pois o Senhor Jesus já deixou bem claro sobre isso. Basta ler em sua Palavra!

Portanto, Deus ficará feliz ao ver sua obra sendo destruída deliberadamente? O mundo inteiro, melhor dizendo, o universo é a casa de Deus. Assim, o Senhor fica muito mais feliz vendo o homem respeitar e cuidar da natureza do que ao ver sua obra destruída para encher uma casa com cento e vinte móveis sem necessidade!

Enfim, não seria este ato de destruição de árvores e seu microcosmo um pecado ecológico?

Nilson Antônio da Silva

sábado, 24 de outubro de 2009

Confissão - O Sacramento da Penitência


1 - O que é o sacramento da Penitência?

O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para apagar os pecados cometidos depois do Batismo. É, por conseguinte, o sacramento de nossa cura espiritual, chamado também sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente nosso retorno aos braços do pai depois de que nos afastamos com o pecado.

2 - É possível obter o perdão dos pecados mortais sem a confissão?

Depois do Batismo não é possível obter o perdão dos pecados mortais sem a Confissão, embora seja possível antecipar o perdão com a contrição perfeita acompanhada do propósito de confessar-se.

3 - E se depois de feita a contrição à pessoa não se confessa?

Quem se comporta desta maneira comete uma falta grave. Pois todos os pecados mortais cometidos depois do batismo devem ser acusados na Confissão.

4 - O que se requer para fazer uma boa confissão?

Para fazer uma boa confissão é necessário: fazer um cuidadoso exame de consciência, arrepender-se dos pecados cometidos e o firme propósito de não cometê-los mais (contrição), dizer os outros pecados ao sacerdote (confissão), e cumprir a penitência (satisfação).

5 - O que é o exame de consciência?

O exame de consciência é a decidida busca dos pecados cometidos depois da última Confissão bem feita.

6 - No exame de consciência é necessário ter exato o número dos pecados?
Dos pecados graves ou mortais é preciso acusar também o número, porque cada pecado mortal deve ser dito na confissão.

7 - É necessário arrepender-se de todos os pecados cometidos?

Para a validez da confissão é suficiente arrepender-se de todos os pecados mortais, mas para o progresso espiritual é necessário arrepender-se também dos pecados veniais.

8 - Um verdadeiro arrependimento requer também o propósito de abandonar o pecado?

O arrependimento certamente olha para o passado, mas implica necessariamente um empenho para o futuro com a firme vontade de não cometer jamais o pecado.

9 - Pode-se ter um verdadeiro arrependimento se a gente prevê que antes ou depois tornará a cair em pecado?

A previsão do pecado futuro não impede que se tenha o propósito sincero de não cometê-lo mais, porque o propósito depende só do conhecimento que nós temos de nossa fraqueza.

10 - O que é a confissão?

A confissão é a manifestação humilde e sincera dos próprios pecados ao sacerdote.

11 - Quais pecados são obrigatórios confessar?

Estamos obrigados a confessar todos e cada um dos pecados graves, ou mortais, cometidos depois da última confissão bem feita.

12 - Quais são os pecados mortais mais freqüentes?

As faltas objetivamente mortais mais freqüentes são (seguindo a ordem dos mandamentos): praticar de qualquer modo a magia; blasfemar; perder a Missa dominical ou as festas de preceitos sem um motivo sério; tratar mal aos próprios pais ou superiores; matar ou ferir gravemente a uma pessoa inocente; procurar diretamente o aborto; procurar o prazer sexual e solitário ou com outras pessoas que não sejam o próprio cônjuge; para os cônjuges, impedir a concepção no ato conjugal; roubar alguma soma relevante, inclusive desviando ou subtraindo no trabalho; murmurar gravemente sobre o próximo ou caluniá-lo; cultivar voluntariamente pensamentos ou desejos impuros; faltar gravemente com o próprio dever; aproximar-se da Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal; omitir voluntariamente um pecado grave na confissão.

13 - Se a pessoa esquece um pecado mortal, obtém igualmente o perdão na confissão?

Se a pessoa esquecer um pecado mortal, pode obter igualmente o perdão, mas na confissão seguinte deve confessar o pecado esquecido.

14 - Se a pessoa omitir voluntariamente um pecado mortal obtém o perdão dos outros pecados?

Se uma pessoa, por vergonha ou por outros motivos, omite um pecado mortal, não só não obtém nenhum perdão, mas também comete um novo pecado de sacrilégio, o de profanação de uma coisa sagrada.

15 - Há obrigação de confessar os pecados veniais?

A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é muito útil para o progresso da vida cristã.

16 - O confessor deve dar sempre a absolvição?

O confessor deve dar sempre a absolvição se o penitente estiver bem disposto, quer dizer, se estiver sinceramente arrependido de todos seus pecados mortais. Se pelo contrário, o penitente não está bem disposto, não tendo a dor ou o propósito de emenda, então o confessor não pode e não deve dar a absolvição.

17 - O que deve fazer o penitente depois da absolvição?

O penitente depois da absolvição deve cumprir a penitência que lhe foi imposta e reparar os danos que seus pecados eventualmente tiverem causado ao próximo (por exemplo, deve restituir o roubado).

18 - Quais são os efeitos do sacramento da Penitência?
São a reconciliação com Deus e com a Igreja, a recuperação da graça santificante, o aumento das forças espirituais para caminhar para a perfeição, a paz e a serenidade da consciência com uma viva consolação do espírito.

19 - Como se pode superar a dificuldade que se sente para confessar-se?

Que tem dificuldades para confessar-se deve considerar que o sacramento da Penitência é um dom maravilhosos que o Senhor nos deu. No "tribunal" da Penitência o culpado jamais é condenado, mas sempre absolvido. Pois quem se confessa não se encontra com um simples homem, mas com Jesus, o qual, presente em seu ministro, como fez um tempo com o leproso do Evangelho (Mc 1, 40ss.) também hoje nos toca ou nos cura; e, como fez com a menina que jazia morta nos toma pela mão repetindo aquelas palavras: "Talita kumi, menina, eu te digo, levante-te!" (Mc 5, 41).

20 - A confissão nos ajuda também no caminho da virtude?

A confissão é um meio extraordinariamente eficaz para progredir no caminho da perfeição. Com efeito, além de nos dar a graça "medicinal" própria do sacramento, faz-nos exercitar as virtudes fundamentais de nossa vida cristã. A humildade acima de tudo, que é a base de todo o edifício espiritual, depois a fé em Jesus Salvador e em seus méritos infinitos, a esperança do perdão e da vida eterna, o amor para Deus e para o próximo, a abertura de nosso coração à reconciliação com quem nos ofendeu. Enfim, a sinceridade, a separação do pecado e o desejo sincero de progredir espiritualmente.


Como Se Preparar Para Uma Boa Confissão

Muitas confissões não são frutuosas por uma série de motivos. Entre os princípios está a forma superficial como algumas pessoas confessam. Toda confissão exige uma preparação feita com oração e um bom exame de consciência: "… prepara-te… para sair ao encontro de teu Deus" (Am 4,12).

1 - O Local: escolha um lugar tranqüilo para passar um tempo a sós com o Senhor. Se possível, diante do sacrário.

2 - A Oração: tenha presente que a finalidade é preparar-se para uma confissão frutuosa. Se estiver diante do sacrário, fique olhando para Ele sem se preocupar com as palavras. Sinta a presença de vida a brotar desse lugar santo. Caso esteja em qualquer outro lugar, não tenha pressa em fazer a oração. Feche seus olhos, enxergue Jesus sorrindo para você e iluminando-o com sua luz. A seguir, abra seu coração em agradecimento ao Senhor pela oportunidade de poder renovar Seu perdão em sua vida. Você pode agradecer lembrando fatos do passado em que sentiu a cura de Deus, assim como as bênçãos recebidas desde a sua última confissão. O passo seguinte é pedir para fazer um bom exame de consciência.

3 - Procurar um sacerdote para fazer uma boa confissão. Ao terminar a confissão, não tenha pressa em retornar as atividades. Permaneça alguns instantes agradecendo pelo perdão recebido, e se houver algo a ser reparado por palavras e atitudes, faça-o sem demora. No caso de problemas de relacionamento, ore para que o Senhor tire os efeitos das feridas emocionais, sem ficar buscando culpados. Também interceda pelas pessoas que o magoaram ou que você magoou. Peça o auxílio da graça para que o perdão da confissão vá curando as faltas e defeitos confessados.

Fonte: Padre Zezinho

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Prayer of Saint Francis of Assisi


Lord, make me an instrument of your peace.
Where there is hatred, let me sow love;
Where there is injury, pardon;
Where there is doubt, faith;
Where there is despair, hope;
Where there is darkness, light;
And where there is sadness, joy.

O Divine Master, grant that I may not so much seek
To be consoled as to console;
To be understood as to understand;
To be loved as to love.
For it is in giving that we receive;
It is in pardoning that we are pardoned;
And it is in dying that we are born to eternal life.
Amen.

Oração de São Francisco de Assis


Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
Que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Amém.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Credo Niceno-Constantinopolitano


Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
Nascido do Pai antes de todos os séculos:

Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
Gerado não criado,
Consubstancial ao Pai.

Por Ele todas as coisas foram feitas.

E, por nós, homens, e para a nossa salvação,
Desceu dos céus:
E encarnou pelo Espírito Santo,
No seio da Virgem Maria,
E se fez homem.

Também por nós foi crucificado
Sob Pôncio Pilatos;
Padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,
Conforme as escrituras;
E subiu aos céus,
Onde está sentado à direita do Pai.

E de novo há de vir, em sua glória,
Para julgar os vivos e os mortos;
E o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
E procede do Pai;
E com o Pai e o Filho
É adorado e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.

Creio na Igreja una, santa,
Católica e apostólica.

Professo um só batismo
Para remissão dos pecados.

Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo que há de vir.

Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Uso de Crucifixos Em Repartições Públicas


Dr. William Douglas, evangélico: ''Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo''. "Embora cristão, as doutrinas católicas diferem em muitos pontos do que eu creio, mas se foram católicos que começaram este país, me parece mais que razoável respeitar que a influência de sua fé esteja cristalizada no país." Este é um trecho do artigo do juiz titular da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ), William Douglas, publicado nesta semana, no site Consultor Jurídico. O magistrado, que se denomina evangélico, critica a ação do Ministério Público Federal que pede a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo.

"Querer extrair tais símbolos não só afronta o direito dos católicos conviverem com o legado histórico que concederam a todos, como também a história de meu próprio país e, portanto, também minha. Em certo sentido, querer sustentar que o Estado é laico para retirar os santos e Cristos crucificados não deixaria de ser uma modalidade de oportunismo".

Para o juiz William Douglas, muitos que são contrários à permanência dos símbolos religiosos em repartições públicas, na verdade professam uma nova religião, a "não religião". "Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo por (segundo minha linha religiosa) haver ali um ídolo, mas compreendo que em um país com maioria e história católica aquela imagem é natural".

"Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas, as verei nas repartições públicas e saudarei aos católicos, que começaram tudo, à liberdade de culto e de religião, à formação histórica desse país e, mais que tudo, ao fato de viver num Estado laico, onde não sou obrigado a me curvar às imagens, mas jamais seria honesto (ou laico, ou cristão, ou jurídico) me incomodar com o fato de elas estarem ali".

Fonte:
www.cleofas.com.br

Consumo de Carne Vermelha na Semana Santa


"Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma - o que deu origem aos banquetes chamados "carnevale" e ao nosso carnaval - e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais.

Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação."

Fonte: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas