terça-feira, 10 de março de 2009

08 - José do Egito



José foi o décimo primeiro filho homem de Jacó e foi aquele a quem este mais amava. Raquel teve dois filhos, José e Benjamim, sendo que ela morreu ao dar a luz a este último. Jacó tinha uma afeição muito grande por José, sempre protegendo-o e dando-lhe presentes e agrados. Assim, seus demais filhos sentiam muita inveja dele.

Nilson Antônio da Silva

segunda-feira, 9 de março de 2009

07 - Jacó


Esaú e Jacó eram gêmeos, filhos de Isaac e Rebeca. Conforme narram as Escrituras, Esaú era mais alto, robusto e peludo, enquanto que Jacó possuía a pele lisa e era belo. Esaú se tornou um caçador e por ele Isaac tinha maior afinidade. Quanto a Jacó, este tinha maior afinidade com Rebeca, tendo se tornado um pastor.

Por ter nascido primeiro, Esaú tinha o direito de primogenitura, muito considerado em todo o Oriente durante a Antiguidade. Este direito de primogenitura garantia ao filho mais velho a herança de todos os bens da família, bem como a sua liderança. Os demais filhos, caso não quisessem permanecer sob a liderança do irmão mais velho, deveriam procurar seus próprios rumos.

Ora, ocorreu que, certa vez, Esaú abriu mão de seu direito em troca de um prato de comida oferecida por Jacó. Embora aparentemente um episódio sem grandes significados, suas conseqüências repercutiriam com o decorrer do tempo.

Estando Isaac já em idade avançada, havia chegado a hora de abençoar o seu primogênito passando a este todos os direitos sobre a herança e a liderança de sua casa. Então, Isaac pediu a Esaú que lhe preparasse uma caça, sendo que a bênção lhe seria dada em seguida. Rebeca, tendo ouvido a conversa, resolveu interferir em favor de Jacó. Enquanto Esaú estava caçando, ela orientou Jacó para que este recebesse a bênção em lugar de seu irmão. Ela preparou uma refeição e, após fazer com que Jacó se cobrisse com uma pele de cabra para que se parecesse peludo como seu irmão era, mandou que o filho fosse ter com Isaac. O velho Isaac, já quase cego, acabou por abençoar o filho mais novo pensando que estava abençoando Esaú.

Ao voltar da caçada e tomar conhecimento do acontecera, Esaú ficou furioso e jurou matar Jacó. Assim, Jacó teve que fugir e se esconder da fúria do irmão. Ele estava com a bênção, entretanto ficara sem a herança. E quanto a Rebeca, ele nunca mais tornou a vê-la.

Enquanto vagava pelas terras do Oriente Médio, Jacó teve um sonho em que via uma escada ligando a terra ao céu. Anjos luminosos subiam e desciam a escada. Então, ele viu diante de si o Senhor Deus, que afirmou-lhe: "Tua descendência se tornará numerosa como a poeira do solo; estender-te-ás para o ocidente e o oriente, para o norte e para o sul e todos os clãs da terra serão abençoados por ti e por tua descendência.” Então, Jacó compreendeu que Deus estava com ele e que queria seu bem. Ao local em que estava quando teve este sonho, Jacó deu o nome de Betel, que significa “casa de Deus” em hebraico. Alguns séculos mais tarde, seria construído aí um santuário para Javé.

Jacó estava morando com Labão, que era seu tio, nas terras de Padam-Aram. Enquanto vivia na casa de seu tio, apaixonou-se por Raquel, sua prima. Para poder se casar com Raquel, ele ofereceu seus serviços a Labão durante sete anos. Findo esse longo tempo, ele pôde se casar. Entretanto, Labão o enganou e fez com que ele se casasse com Lia, que era a irmã mais velha de Raquel.

Ao descobrir que fora enganado, Jacó não desanimou. Trabalhou outros sete anos para Labão até que, finalmente, conseguiu se casar com Raquel. Naquele tempo, a poligamia era comum, como ainda hoje é comum na cultuara árabe.

De certa forma, ao trabalhar para Labão, Jacó vai então pagar as trapaças e fraudes que ele fizera no passado, sofrendo sob as espertezas do tio.

Passado algum tempo, Jacó ajuntou as esposas, filhos, servos e um grande rebanho e resolveu deixar a casa de seu sogro. Enquanto voltava, Jacó encontrou-se com um homem misterioso, ao qual ele pedira que o abençoasse. O homem, entretanto, recusara-se a fazer isso. Jacó havia percebido que se tratava de Deus e, por isso, tanto desejava a sua bênção. Assim, ele lutou com o homem misterioso durante a noite inteira, sendo que finalmente conseguiu que este o abençoasse. Além disso, o Senhor deu a Jacó um nome novo, Israel. Israel significa “aquele que lutou com Deus”. Logo no dia seguinte, Jacó encontrou-se com Esaú, que já o havia perdoado há tempos.

Jacó teve doze filhos homens e uma filha mulher. O predileto de Jacó era José, filho de Raquel. Seus demais filhos se chamavam Rubem, Simeão, Levi, Judá, Dã, Neftali, Gade, Aser, Issacar, Zabulon e Benjamin. A filha se chamava Dina.

Jacó foi o terceiro patriarca. Seu nome foi pronunciado por Deus a Moisés no Monte Sinai, quando o Senhor afirmou: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.” Jesus, ao falar sobre a ressurreição, reafirmou o mesmo e ainda mais: “Deus é Deus dos vivos e não dos mortos.”

Nilson Antônio da Silva

sábado, 7 de março de 2009

06 - Isaac


Sara, esposa de Abraão, deu à luz Isaac quando já estava em idade avançada. Ora, alguns anos antes, Abraão tivera um filho com Agar, sua serva, como era costume naquele tempo quando a esposa legítima era estéril. Quando isso acontecia, o filho gerado pela escrava pertenceria à sua senhora, neste caso, a Sara. O menino nascido de Agar recebeu o nome de Ismael. Entretanto, todo esse processo gerou somente amargura para Sara, pois Agar passou a desprezá-la.

Quando Isaac foi desmamado, Sara disse a Abraão que expulsasse Agar e Ismael, alegando que os dois não seriam herdeiros da promessa juntamente com Isaac. Abraão, muito contrariado e também surpreso com a exigência de sua esposa, expulsou Agar e Ismael. Ora, Ismael também era seu filho. Mas Deus o consolou, dizendo: “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faze tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a posteridade que terá o teu nome. Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça.” Assim, Ismael se tornou o pai dos povos árabes, pois Deus cuidou dele em toda a sua vida.

O tempo foi passando e Isaac ia crescendo em graça e santidade. Por essa época, Deus apareceu a Abraão dizendo-lhe: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.” Abraão obedeceu à palavra do Senhor e assim fez. No lugar indicado, onde hoje encontram-se as ruínas do templo de Jerusalém, construiu um altar, tomou Isaac e o pôs em cima para sacrificá-lo. Erguendo a mão para realizar o sacrifício, do céu o anjo do Senhor gritou-lhe: “Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único.” Abraão obedeceu e, olhando para o lado, viu um cordeiro preso nos arbustos, o qual ele tomou e ofereceu em sacrifício a Deus. Pela segunda vez, Deus falou a Abraão: “Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei. Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar. Ela possuirá a porta dos teus inimigos, e todas as nações da terra desejarão ser benditas como ela, porque obedeceste à minha voz.” O cordeiro preso nos arbustos, o qual Abraão tomou e sacrificou a Deus no lugar de Isaac, é figura de Jesus, que se entregou à morte para salvar a humanidade. É maravilhoso ver que, cerca de dois mil anos antes, Deus revelava à humanidade este sinal de seu amor incondicional para conosco!

Este fato foi um ato heróico de extrema fidelidade a Deus e obediência ao primeiro mandamento, isto é, “amar a Deus sobre todas as coisas”, o qual mereceu ao patriarca que Deus renovasse com ele sua aliança.

Abraão voltou para casa e Isaac cresceu e se tornou homem feito. Já em idade de se casar, Abraão enviou um servo chamado Eliezer para procurar uma noiva para Isaac. Este servo, após orar a Deus, encontrou Rebeca, filha de Betuel, a qual aceitou casar-se com Isaac e partiu para a casa de Abraão. Lá, Isaac e Rebeca se casaram. Com a graça de Deus, Rebeca concebeu e deu à luz Esaú e Jacó. Rebeca é descrita na escritura sagrada como uma mulher belíssima, gentil e determinada.

Depois da morte de Sara, Abraão viveu ainda muitos anos, conforme narrado no capítulo 8 de Genesis “numa ditosa velhice e em avançada idade e cheio de dias; e foi unir-se a seu povo”. Quando ele faleceu, foi sepultado junto a Sara.

Nilson Antônio da Silva

05 - Abraão - 2ª Parte


Em Haran, certo dia, Deus disse a Abrão: "Sai da tua terra e da casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Em ti serão abençoadas todas as nações da terra". Obedecendo ao Senhor, ele, sua mulher Sarai e seu sobrinho Ló saíram e foram para a terra de Canaan, na Palestina, onde hoje se encontra o Estado de Israel. Lá chegando, Abrão ergueu uma tenda debaixo do carvalho de Mambré, em Siquém, onde passou a morar. Certo dia, apareceu-lhe o anjo do Senhor, dizendo-lhe: “Darei esta terra aos teus descendentes.” Depois de certo tempo, Abrão partiu rumo ao sul, indo morar num local entre Betel e Ai. Nesse local ele se estabeleceu com suas tendas e também aí ergueu um altar a Deus. Passado algum tempo, ele novamente rumou para o sul, talvez até Salém. Entretanto, a Bíblia não menciona claramente onde ele teria se estabelecido dessa vez, mas apenas diz que havia fome naquele lugar. Por essa razão, Abrão e todo o seu acampamento se retirou para o Egito. Algum tempo depois, o patriarca e sua família retornaram a Canaan, para o local onde estiveram antes da ida para as terras do faraó, isto é, possivelmente nas proximidades de Salém. Aí Abrão tornou-se um homem rico, possuidor de grandes rebanhos e também ouro e prata. Depois disso, ele retornou para Betel. E foi então que ele e Ló resolveram se separar, pois começaram a surgir várias contendas entre os pastores que cuidavam do imenso rebanho que ambos tinham formado. Para evitar desavenças com Ló, Abrão achou mais prudente que se separassem e cada um cuidaria de seu próprio rebanho. Para isso, Abrão permitiu que Ló escolhesse a planície que quisesse para se estabelecer com seus rebanhos. Ele, então, escolheu a planície do Rio Jordão, na região das cidades de Sodoma e Gomorra. E Abraão permaneceu nas terras de Canaan.

Certa vez, aquela terra foi invadida por estrangeiros, que saquearam as cidades e causaram muita destruição. Então, Abrão reuniu 318 servos e, à frente deles, perseguiu e conseguiu vencer os inimigos em batalha. Destes, os últimos a serem vencidos foram os reis de Sodoma e de Gomorra. Estes haviam capturado Ló e, em Sidim, foram derrotados. Então, ele libertou seu sobrinho e também o povo de Sodoma. Regressando para casa, passou por Salém (a atual Jerusalém), onde se encontrou com Melquisedec, sacerdote do Deus Altíssimo. Este sacerdote é apresentado como aquele que não tem nem começo nem fim, ou seja, ele é eterno. Daí ser visto como figura do sacerdócio eterno de Jesus Cristo. E foi ali, em Salém, que o patriarca apresentou ao sacerdote o dízimo dos despojos da guerra. Após essas vitórias, Abrão passou a ser visto e temido como líder militar pelo povo e pelos reis da região. Suas batalhas e conquistas ficaram conhecidas por todos que moravam naquelas terras, o que fez dele um homem respeitado.

Vale ressaltar a intervenção de Abrão em favor das cidades de Sodoma e Gomorra, as quais estavam para ser destruídas pela ira de Deus por causa dos muitos pecados que lá eram praticados. O patriarca, cheio de confiança e demonstrando uma total amizade e familiaridade com Deus, argumenta, insiste e tenta convencer o Senhor a não destruir aquelas cidades. Deus escuta os apelos dele e, somente não as poupa porque realmente não havia nenhum justo nelas! É notável a paciência de Deus diante da insistência de Abraão!

Nos tempos de Abraão, provavelmente as duas cidades já não eram habitadas havia muito tempo. De fato, até hoje não foram encontradas as ruínas que comprovadamente tenham sido de Sodoma e Gomorra. Porém, o belo e grande significado da narrativa sobre a destruição está no momento em que o patriarca intercede em favor da população pecadora de ambas, numa clara demonstração da fragilidade e confiança humanas diante da justiça e misericórdia divinas. Este sentido foi exposto de forma magnífica pelo hagiógrafo!

Mais uma vez, Deus disse a Abrão: "Levanta os olhos e conta, se podes, as estrelas do céu! A tua descendência será tão numerosa como elas". Abrão acreditou e teve fé em Deus e, passados muitos anos, novamente o Senhor Deus lhe apareceu, dizendo: “Daqui um ano retornarei à tua casa, e tua mulher já terá tido um filho.” E disse ainda: “Daqui em diante não te chamarás Abrão, mas sim Abraão, porque te destinei para pai de muitos povos. Para o futuro, não chamarás a tua mulher de Sarai, mas de Sara. Eu a abençoarei e ela terá um filho ao qual chamarás Isaac. Concluirei com ele uma aliança perpétua em favor da sua posterioridade”. Assim, já na velhice, Sara deu à luz Isaac. E a promessa de Deus a Abraão foi cumprida.

Na próxima semana continua a história de Abraão, dando ênfase ao nascimento de Isaac e à prova por que o patriarca passou!

Nilson Antônio da Silva

04 - Abraão - 1ª Parte


Abraão, o Pai de muitos povos... assim ficou conhecido esse homem que, sem dúvida alguma, hoje é considerado um dos maiores personagens da Antiguidade. A partir dele, desenvolveram-se as três maiores religiões da humanidade, isto é, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Até onde conseguem alcançar as pesquisas históricas, arqueológicas e científicas, tem-se como comprovadas as origens da história do povo de Deus até os tempos deste patriarca, que teria vivido provavelmente entre os séculos XXI e XVIII antes da era cristã. Os arqueólogos conseguiram encontrar um contrato em escavações na Babilônia o qual trazia o nome “Abraão”. Após as devidas análises, esse contrato teve sua datação entre 1800 a 2000 a.C. Uma vez que Abraão foi um homem rico, conforme é informado no versículo 2 do capítulo 13 do livro do Gênesis, é possível que haja alguma relação entre este achado arqueológico e o patriarca.

Abrão, do hebraico Avraham ou ‘Abhraham, era filho de Taré. Taré era descendente de Sem, sendo que teve três filhos: Abrão, Nacor e Aran. Ele e sua família moravam na cidade de Ur, na Caldéia, até que decidiu deixar aquela cidade e, levando consigo seu filho Abrão, seu neto Ló e Sarai, esposa de Abrão, foi viver em Haran, mais ao norte da Mesopotâmia, numa região onde hoje se encontra a Turquia. A Caldéia, em cujas terras hoje está localizado o Iraque, ficava numa região no sul da Mesopotâmia, principalmente formada pelas terras da margem oriental do Rio Eufrates. Trata-se de uma extensa planície formada pelos depósitos sedimentares do Tigre e do Eufrates, a qual possui cerca de 250 quilômetros de comprimento ao longo do curso de ambos os rios e cerca de 60 quilômetros de largura. Portanto, era uma terra bastante fértil. Já Haran, localizada onde atualmente é o sul da Turquia, bem próximo da fronteira com a Síria, ficava numa região mais seca e montanhosa. Era uma cidade pela qual passava uma importante rota comercial e, portanto, era um lugar onde caravanas de todo o oriente estavam habituadas a freqüentar.

A história de Abraão, de quem somos filhos na fé e, portanto, herdeiros da promessa que Deus lhe fez, será contada na próxima semana.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 6 de março de 2009

03 - Noé


A história de Noé está narrada no Gênesis, sendo que seu nome é mencionado pela primeira vez no versículo 29 do capítulo 5. Ele é apresentado como descendente de Set e, portanto, descendente de Adão.

Naquela época, a humanidade encontrava-se corrompida. Os povos praticavam atos de maldade entre si e, por causa disso, Deus se arrepende de tê-los criado e decide exterminá-los através de uma grande inundação que cobriria a terra inteira. Noé, entretanto, era um homem justo e íntegro, que temia a Deus e possuía um bom caráter. Então, Deus decide poupá-lo e também à sua família do extermínio. Para tanto, ordena-lhe a construção de uma grande arca, na qual Noé e sua família poderiam se salvar das águas que inundariam a terra (terra, neste contexto, vem do hebraico eretz, que significa região). Além de sua família, ele deveria abrigar na arca casais de animais também.

Mesmo ouvindo as caçoadas de seus conterrâneos, Noé acatou as ordens de Deus e, com o coração cheio de obediência, pôs a trabalhar e construiu a arca. Quando chegou o tempo determinado, a chuva começou. Choveu dia e noite durante quarenta dias. Conforme diz a Escritura, todos os homens e todos os seres vivos que ficaram fora da arca morreram. Passados quarenta dias, a chuva parou e as águas foram abaixando. Noé enviou uma pomba (algumas traduções mencionam um corvo) que voou e trouxe-lhe um ramo de oliveira, dando a saber que a terra já estava seca. Tendo as águas abaixado completamente, a arca teria ficado encalhada no Monte Ararat, numa região onde hoje fica a fronteira da Turquia com a Armênia. Surgiu no céu um arco-íris, sendo o sinal de que Deus não destruiria novamente a humanidade. Estando já em terra seca, Noé ergueu um altar e ofereceu a Deus um sacrifício.

Finalmente, Noé e sua família e também os animais puderam pisar em terra firme. Segundo a Bíblia, Noé teria vivido novecentos e cinqüenta anos. Tal longevidade certamente é uma indicação de que ele realmente “encontrou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6,8).

A história do dilúvio, bem como outras encontradas no Antigo Testamento, possuem similaridades com muitas outras histórias de povos antigos que viviam na região do Oriente Médio, especialmente dos povos da Mesopotâmia. Uma delas é do herói e rei sumério chamado Guilgamés, que é considerada o mais antigo conto escrito pela humanidade. É conhecida por Epopéia de Guilgamés. Segundo esta história, Guilgamés passou sua vida inteira à procura da imortalidade, a qual lhe foi negada pelos deuses. Sem conseguir sucesso, ele abriu mão de sua vida em busca da vida eterna.

Nesta epopéia, traduzida da língua antiga original em 1872, há um personagem chamado Utnapisti, cuja história é muito semelhante à de Noé. Utnapisti é um rei e sacerdote sumério, único sobrevivente do dilúvio juntamente com sua família. Seu nome significa “encontrou (viu) a vida”, isto é, encontrou a imortalidade.

Também já foi encontrada pelos arqueólogos em Nipur, na Babilônia meridional, uma tabuinha do ano 1.600 antes de Cristo, a qual relata a história de uma grande e devastadora inundação. Há ainda a história de outro herói sumério chamado Ziusudra, na qual há semelhanças com a narrativa bíblica.

É bom salientar ainda que todas essas histórias são bem anteriores à época em que o Gênesis foi escrito e, portanto, bem anteriores inclusive ao surgimento do povo hebreu. Observe-se ainda que Abraão era originário da região da Caldéia, ou seja, da Mesopotâmia. Ele conhecia todas essas narrativas que passavam oralmente de geração a geração.

Todas essas histórias, enfim, relatam a ocorrência de uma grande inundação, a qual foi de proporções catastróficas. Essa calamidade deixou marcas na memória coletiva das pessoas daquela região. Naturalmente, uma inundação deste porte poderia ocorrer naquelas terras cercadas por dois grandes rios, o Tigre e o Eufrates. Devemos ter em mente que a noção de mundo daqueles povos antigos era muito diferente da nossa. Naquela época, a noção de “mundo inteiro” ou “terra inteira” era limitada às regiões então conhecidas. Não era como hoje, que temos conhecimento de que o mundo, isto é, a terra, é um planeta.

Não cabe ficar argumentando sobre a existência ou não da arca de Noé, assim como se realmente ele colocou casais de todos os animais dentro da mesma, ou ainda sair procurando os restos da arca em cima das montanhas da Armênia e da Turquia. O sentido da história certamente não é este. A Bíblia não é um livro de história natural nem uma revista científica. Ela é a coleção de livros nos quais, através dos tempos, Deus quis se revelar à humanidade. No tocante à história da arca, o que importa é que Deus salvou Noé e sua família da punição dada aos homens por causa de seus pecados. Mais ainda, até mesmo a criação sofre as conseqüências dos pecados humanos. Este é, sem dúvida, o sentido maior desta bela história que passou pelos lábios dos patriarcas e dos juízes até chegar às mãos do escritor que a transcreveu nos rolos de pergaminho. E mais ainda, nesta história é apresentada a primeira aliança que Deus, em sua misericórdia, fez com a humanidade.

Nilson Antônio da Silva

Os Lírios do Campo


Jesus gostava muito de flores e de passarinhos, de raposinhas e de cordeirinhos. Suas histórias estão repletas da presença de tantos animaizinhos e de tantas plantas das mais diversas testemunhando o quanto ele dava importância à criação, pois na verdade “tudo foi feito por meio dele e sem ele nada se fez”. Jesus usava o tempo todo em suas parábolas exemplos da natureza para transmitir ao povo a boa nova, isto é, a boa notícia da salvação para todos. Ora, e com a morte e ressurreição do Senhor, que assim redimiu o homem, a natureza inteira também foi redimida. Isto afirmou Paulo mais tarde ao dizer que “a criação sofre como em dores de parto”. Portanto, o Senhor amava os seres humanos mas também amava a natureza.

Certamente, tantas tardes preguiçosas em que Jesus, andando pelas margens do Mar da Galileia, ali pelos arredores de Cafarnaum, sentou-se na grama e ficou a contemplar o pôr-do-sol por detrás das suaves colinas que se perdiam no oeste. Talvez seu olhar, tão acostumado a penetrar os corações, tenha se perdido a contemplar algum pássaro voando longínquo no profundo azul do céu.

O mundo está cheio de violência. Todos os dias, temos contato com pessoas violentas e agressivas, sem paciência e sem senso de educação e cordialidade. São pessoas que se acham donas de tudo e de todos, as quais se consideram acima de Deus e dos homens. Este tipo de pessoa acredita cegamente que todos existem para fazer a sua vontade quando assim o desejam. Acreditam e querem que todos façam exatamente tudo do jeito como desejam. Para isso, pouco se importam se estão tratando com uma pessoa, ou seja, um ser humano, ou se estão tratando com um poste de pedra. E felizes são os postes porque são indiferentes à brutalidade do ser humano! O que pessoas assim precisam é aprender a virtude da paciência e, mais ainda, aprender a virtude da humildade. Sem isso, são tão somente a causa de tanta violência e agressividade reinantes na humanidade.

Olhar os lírios do campo e admirar o vôo dos pássaros tornou-se essencial para compreendermos melhor a natureza do ser humano que é perfeito e podermos realmente viver conforme o Senhor nos criou. Deus quer que o ser humano viva e conviva em paz e humildade, com respeito a si mesmo e ao seu semelhante. Deus deseja que o ser humano seja paciente diante das frustrações e correrias do dia-a-dia. Pois, para tudo há um tempo determinado e nada se fará fora do tempo certo.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 5 de março de 2009

02 - O Oriente Médio - 2ª Parte

Oriente Médio

Cadeias de altas montanhas, vales longos onde serpenteiam rios ladeados por vilarejos, extensos desertos castigados pelo calor do sol e pelo frio da noite, colinas a se perderem na solidão do horizonte, encostas por onde pastam rebanhos guardados por humildes pastores... assim é a região onde os profetas e patriarcas viveram.

São terras bem diferentes das terras brasileiras e, sem dúvida, também possuem tantas maravilhas naturais quanto o Brasil. Em princípio, são terras formadas por vastos e desolados desertos, os quais se estendem sobre planícies e montanhas a perder de vista. Entretanto, também existem campos e vales com vegetação exuberante, bem como rios e terras férteis.

Ao longo de toda a sua história, o povo de Deus caminhou através de desertos, atravessou rios e cruzou vales e montanhas. Quatro rios sempre estiveram presentes na história de Israel, os quais são o Tigre e o Eufrates, o Nilo e, finalmente, o rio Jordão. Patriarcas e profetas, reis e apóstolos, camponeses e gente simples... enfim, todos sempre estiveram, de alguma forma, ligados a esses rios.

Os rios Tigre e Eufrates nascem na Turquia, no maciço da Armênia, uma região que possui serras muito altas. O Eufrates, ao longo de seu percurso rumo ao Golfo Pérsico, atravessa desfiladeiros profundos na cordilheira do Tauro; o Tigre, cujas nascentes estão perto de Elaziq, não muito longe das nascentes do Eufrates, desce e, após passar pelo lago Hazar, toma a direção rumo ao Iraque. Por correrem em rumos iguais, muitas vezes os leitos de ambos se aproximam e se afastam. Assim, são nessas aproximações que surgem as grandes e férteis planícies. Enquanto corre, o rio Tigre recebe numerosos afluentes vindos da cordilheira dos Zagros, nos limites do Irã. Como correm numa região montanhosa, esses dois rios apresentam enchentes muito violentas e sem regularidade, ao contrário do Nilo, que se mostra bem mais previsível e estável.

O Egito se desenvolveu ao longo do Rio Nilo e, não sem motivo, os próprios egípcios consideravam seu país como um dádiva do Nilo. O nome Nilo vem do latim “Nilus”, o qual vem do grego “Neilus”. Já os egípcios antigos chamavam-no “Aur” ou “Ar”, que significa “negro”, por causa do fato de suas enchentes sempre deixarem atrás de si uma terra negra. O Nilo nasce nos planaltos da Etiópia e nas águas do Lago Vitória, bem no coração da África. Após percorrer quase sete mil quilômetros, derrama suas águas no Mar Mediterrâneo. Entretanto, na antiguidade os egípcios não conheciam as suas nascentes. Enviados por faraós, muitos exploradores tentaram chegar às suas nascentes, mas sem sucesso.

O rio Jordão, cujo nome em hebraico é “Nehar Hayarden” significando “aquele que desce” ou “lugar onde se desce” para beber, é o rio onde Jesus foi batizado por João antes de iniciar a pregação do evangelho. Ele nasce na encosta do Monte Hermon, na atual Jordânia, e termina seu curso no Mar Morto. É um rio cuja profundidade fica entre um e três metros, com uma largura que chega a trinta metros. Ao longo de suas margens, desde os tempos mais antigos, surgiram pequenos povoados, cujos habitantes se dedicavam à pesca, à lavoura e à criação de ovelhas e cabras. Em alguns trechos, o Jordão atravessa terras áridas; noutros, ele mesmo favorece a formação de áreas de densa vegetação. É interessante observar que na maior parte de seu curso ele corre abaixo do nível do mar, até desaguar no Mar Morto. Este mar interior, que é assim chamado devido à altíssima salinidade de suas águas, que impede a existência de peixes e outros seres aquáticos, é formado unicamente pelas águas do rio Jordão. Porém, antes de desaguar, o Jordão forma ainda o Mar da Galiléia, também chamado de Mar de Genesaré e Lago de Tiberíades. Nas margens deste localizavam-se as pequenas cidades pelas quais Jesus tanto pregou, como a antiga Cafarnaum. Nas águas do Mar da Galiléia, Pedro, André e Tiago lançavam suas redes e, ao ouvir o chamado do Senhor, abandonaram-nas para se tornarem pescadores de almas. Nessas mesmas águas, Jesus acalmou os ventos e, ainda, de dentro de uma barca, ensinou às multidões.

Nilson Antônio da Silva

01 - O Oriente Médio - 1ª Parte


A história da salvação, desde os tempos de Abraão até os tempos de Cristo na terra, desenvolveu-se nas terras da Ásia conhecidas como Oriente Médio. Naturalmente, naqueles tempos antigos ainda não havia o nome Ásia para designar o continente como hoje o usamos, e menos ainda a expressão Oriente Médio. Na antiguidade, as terras que hoje constituem o Oriente Médio tinham outros nomes, alguns dos quais atualmente não são mais usados e outros, ainda permanecem. Na Bíblia, é possível encontrar vários desses nomes; outros, chegaram até nós através de escritos de historiadores gregos ou latinos; e outros, finalmente, foram dados ao longo do tempo, como é o caso de Crescente Fértil e Mesopotâmia.

Crescente Fértil foi o nome dado pelo arqueólogo James Henry Breasted, da Universidade de Chicago, a uma região do Oriente Médio que compreende os atuais Israel, Cisjordânia e Líbano e ainda partes da Jordânia, da Síria, do Iraque, do Egito e uma parte do sudeste da Turquia. Essa região possui a forma de uma lua crescente. Além do mais, é uma região que possui terras onde é possível a agricultura bem como a criação de animais tais como ovelhas e cabras.

Já Mesopotâmia é um termo grego que significa “entre rios”. As terras que receberam este nome são aquelas localizadas num planalto vulcânico entre os rios Tigre e Eufrates, as quais estão rodeadas por desertos. Hoje, estão em território iraquiano. Embora esteja cercada por terras áridas dos desertos, a Mesopotâmia possui um solo bastante fértil, ou seja, onde as atividades agrícolas podem se desenvolver bem. E foi por este motivo que naquele local, há cerca de oito mil anos, surgiram as primeiras civilizações, com o desenvolvimento de cidades, artes e literatura. Por isso, a Mesopotâmia é considerada o berço da civilização. Ao longo dos capítulos desta história, será abordado em detalhes este aspecto.

O Oriente Médio é a denominação dada à área geográfica a leste e a sul do Mar Mediterrâneo, a qual se estende até ao Golfo Pérsico. Assim, hoje é uma região onde estão localizados vários países, como o Egito, Israel, o Iraque, o Líbano, a Arábia Saudita e outros mais. É considerada uma região explosiva, onde se desenrolam guerras e conflitos políticos entre os seus vários povos. Esses conflitos, além de terem causas históricas relacionadas à religião e à política, também têm profundas raízes no fato de ali existirem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo.

Na antiguidade, também toda essa região sempre foi marcada por constantes e sucessivos conflitos, em que povos conquistavam uns aos outros com uma ferocidade imensurável. Guerras, invasões, conquistas, massacres, escravidão... tudo isso permeou a história das civilizações que se desenvolveram sobre as terras que se estendem do Nilo às colinas da Pérsia.

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Os Jovens Cristãos de Neuquén


Nestes dias atuais, num tempo em que a Igreja é tachada de retrógrada e de antiquada cujas doutrinas não condizem mais com a modernidade, como é possível sermos cristãos autênticos?

A doutrina cristã católica, fundamentada na palavra de Deus e apoiada no testemunho dos apóstolos, mártires e santos, é verdadeira pois sua essência são as palavras “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” ditas por Jesus Cristo. Portanto, a doutrina da Igreja Católica é verdadeira, é a única que segue no caminho de Cristo e, além de tudo, é a doutrina que ama, valoriza e defende a vida como o dom por excelência que o Criador dá ao mundo e, acima de tudo, ao ser humano.

O caminho que a Igreja Católica segue e ao qual ela chama todos os homens para também nele caminhar é o caminho que conduz diretamente ao Reino de Deus. É um caminho difícil e doloroso. E quanto a isso Jesus foi bem claro e a Igreja, fiel ao seu ensinamento, também reconhece o quão difícil e doloroso é caminhar rumo aos braços do Senhor. A Igreja sempre deixou bem claro que o caminho é áspero, estreito e cheio de espinhos e, mais ainda, que este caminho passa pelo calvário antes de atingir as portas do paraíso. Foi o que o Senhor disse e é o que a Igreja crê e prega.

Só há uma verdade e essa verdade é crer em Deus. Ponto final. Não existem outras verdades; não existe outra verdade! Só há uma verdade, a que Jesus ensinou e mostrou ao mundo! Assim, essas novidades que tantos apregoam por aí, cheios de vã sabedoria, essas novidades não passam de mentiras vazias cujo único fim é a perdição.

A vida, o dom de Deus por excelência, tem um valor inestimável. A vida humana possui um valor infinitamente maior e sua preciosidade vai além de toda e qualquer riqueza que há ou venha a existir. Por isso, a Igreja é muito clara e determinada quando se trata de defendê-la e promovê-la. Não há como abrir exceções e a Igreja não abre exceções: todo ser humano tem o direito à vida! Não existe um “se” ou um “mas”. Se a pessoa se torna um santo ou não, isso é uma decisão que cabe à própria pessoa durante a sua vida. Não cabe à Igreja determinar; cabe a cada um a escolha livre de seguir o caminho da glória ou o caminho da perdição. O que cabe à Igreja fazer, isto é, revelar ao mundo a verdade que é a Palavra de Deus, ela o faz dia e noite sem parar e em todos os cantos do mundo.

Há pouco tempo, houve na cidade argentina chamada Neuquén um acontecimento que, dadas as suas proporções de tristeza e dor, não pode passar despercebido.

Naquela cidade ocorreu uma reunião de pessoas favoráveis ao aborto. Como é costumeiro acontecer em toda cidade onde acontece uma reunião dessas, após o evento acabar saíram seus participantes em passeata pelas ruas com a intenção prévia de passar em frente à igreja matriz local para se manifestarem contra a doutrina de vida pregada pela Igreja Católica. Como já ocorrido em diversas outras cidades, ao chegarem às portas da igreja os manifestantes pró-aborto praticam atos de vandalismo e depredação contra o templo. E em Neuquén não foi diferente, infelizmente.

Entretanto, ao chegarem em frente à igreja matriz local, encontraram diante de suas portas um batalhão de rapazes e moças, todos em pé em ordem de batalha, e todos armados! E quais eram suas armas? A oração e a fé em Deus eram suas armas! Todos rezavam em voz alta, todos em fileiras de batalha, rapazes à frente e moças atrás destes diante da igreja rezavam!

A multidão de mulheres abortistas, ensandecida e furiosa, começou a agredi-los com palavras e com gestos de desprezo. Numa cena uma mulher cuspe na face de um dos homens e, como Cristo fez, ele permaneceu imóvel e continuou rezando. As manifestantes enfurecidas lançaram todo tipo de gritos e de palavras ofensivas contra os jovens católicos e estes, firmes e determinados, todos permaneceram como rocha rezando em voz alta.

As cenas foram das mais terríveis que o ser humano pode imaginar! Gritos, ofensas, agressões físicas... como pode o ser humano menosprezar tanto assim a vida de seu semelhante, que ainda nem sequer nasceu, a ponto de cometer atos tão selvagens e bárbaros como aqueles?

Aqueles jovens, homens e mulheres que rezavam, se quisessem poderiam se defender de toda a selvageria da multidão enlouquecida que pregava e defendia a morte. Mas não moveram um dedo sequer em resposta aos agressores, da mesma forma como Cristo também não moveu um dedo sequer contra aqueles que o torturaram. E o que dizer dos embriões e fetos que são abortados? Eles nem sequer podem de defender! Nem sequer têm consciência para se defender!

Os jovens de Neuquén rezavam a Deus em defesa da vida com palavras e com sua atitude de cristão. As crianças que são abortadas rezam a Deus com o sacrifício de sua vida inocente. E Deus escuta e acolhe a oração de cada embrião e de cada feto abortado.

O mundo cultua a morte e não a vida. É uma afirmação forte? Claro que sim! Ora, quem defende a prática de aborto está prestando culto a quem senão à morte? E cultuar a morte é o mesmo que cultuar o diabo.

Defender e valorizar a vida, desde a sua concepção até o seu fim natural, é prestar a Deus um culto santo e agradável. Mais ainda, é viver as palavras de Jesus que tanto amou e defendeu a vida enquanto esteve historicamente no mundo. O seu amor pela vida foi tão grande, realmente infinito, que ele entregou a sua vida preciosa para que todos os homens e mulheres tivessem vida eterna! E hoje, passados dois mil anos, ainda tem tanta gente de cabeça dura que não consegue entender o que o Senhor fez!

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Segredo da Vida


Desde que o mundo é mundo e que as pessoas questionam sobre a grande e misteriosa aventura do ser humano na terra, muitos têm buscado descobrir o segredo da vida. Alguns procuraram no topo das montanhas de neves eternas, outros nas ilhas distantes perdidas no meio do oceano, outros, ainda, no coração das imensas selvas... entretanto, quem pode dizer que encontrou?

Aventureiros talvez tenham alguma informação, os filósofos provavelmente falarão com segurança sobre este segredo, os homens de bom senso terão respostas satisfatórias. Mas, quem pode ter a reposta exata? Sem dúvida alguma, aqueles que voltam seus ouvidos para as palavras de vida de Cristo.

As pessoas que procuram por conforto dificilmente entenderão do que falo; quem almeja fama, poder e glória nem sequer voltará os olhos para estas palavras e menos ainda terá tempo para ouvir a Palavra de Deus. Quem procura por segurança e bem-estar neste mundo não encontrará nunca o segredo da vida. Ainda que procure, não encontrará. E por quê? Porque, para encontrar o segredo da vida, é preciso antes de tudo abrir mão de muitas coisas, a começar pela própria vida. E digo isto apenas repetindo o que o meu Senhor disse há dois mil anos atrás. Ora, para ganhar a vida é necessário antes perder a vida. Contraditório, não? Mas é mesmo. E mais ainda, é preciso perder a própria vida e todos os confortos que o mundo oferece também. Exigente o Senhor, não? Uns dirão que são palavras absurdas, exigências duras demais... outros, dirão ainda que é a mais pura loucura fazer uma coisa dessas, abrir mão até da própria vida... e mais ainda! Quem pode escutar essas coisas absurdas, dar ouvido a palavras tão fora da realidade?!

A resposta é curta e grossa: muitos escutam e muitos seguem essas palavras e por elas dão a própria vida! Abandonam tudo e se entregam à sabedoria da Palavra de Deus. Ao mergulhar nesta Sabedoria encontram a verdadeira realidade, que é a realidade perfeita e absoluta. E é nessa realidade que está a verdadeira vida, a que não se extingue nunca, pois é eterna. É nessa realidade que não há mais dor nem lágrimas, pois “o Senhor enxuga todas as lágrimas”. É para encontrar essa realidade que vale a pena abrir mão da própria vida. Essa realidade, que é perfeita, é a casa do Senhor, é o reino que o próprio Deus criou e preparou desde toda a eternidade para todos e cada um de seus filhos.

Quando conseguimos entender a grandiosidade e a infinita bondade da vontade de Deus em nos querer eternamente em sua casa, tudo neste mundo se torna como pó sem valor que é levado pelo vento. E foi por entender isto que os patriarcas, profetas e apóstolos disseram que neste mundo “somos apenas estrangeiros que vivem em tendas, sem morada fixa”, como Abraão fez. Jesus, em certa ocasião, também disse que “não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, pois Deus tudo providencia para que possamos viver”.

Entretanto, é preciso ressaltar que ser estrangeiro neste mundo não significa ser alienado, ou seja, permanecer fora dos sofrimentos e alegrias de cada dia. Neste ponto, Jesus foi muito claro ao afirmar que “quem não toma a sua cruz de cada dia e não o segue não é digno do Reino de Deus”. Tomar a cruz de cada dia é viver a cada dia com intensidade, usufruindo das alegrias e enfrentando as dificuldades, igualzinho o Senhor fez. O mundo é obra de Deus e portanto é bom; o que o tornou um lugar corrompido foi o pecado. Assim, toda a maldade que há no mundo é fruto dos pecados cometidos pelos homens.

Finalmente, eis o grande segredo da vida: o segredo da vida é amar a cruz! Este foi o segredo que Jesus revelou em palavras e ações a todos os homens!

Nilson Antônio da Silva

sábado, 9 de agosto de 2008

QVO VADIS DOMINVS


Aonde vais, Senhor? Foi a indagação do apóstolo a Jesus na estrada romana. E o Senhor, com firmeza e certamente cheio de ternura, apenas lhe disse que ia a Roma para ser novamente crucificado. Sem esperar, o Apóstolo retornou à cidade... e foi crucificado.

Mesmo hoje, dois mil anos passados, todos os dias o Senhor está indo para ser crucificado novamente. E quem o crucifica a cada dia? São seus juízes, acusadores e carrascos todos aqueles que insistem em destruir a palavra de Deus. E como destroem a palavra do Senhor? Destroem-na quando exploram os fracos, pois os fracos têm por defensor o próprio Deus; destroem-na na destruição da criação, pois a natureza inteira é reflexo da glória de seu Criador; destroem-na quando assassinam crianças ainda no útero e colaboram com assassinos que as exploram quando já nascidas; destroem-na ao idolatrar o egoísmo e a auto-suficiência enquanto condenam a caridade e a humildade; destroem-na ao condenar e perseguir mais uma vez aqueles que seguem as palavras de Jesus; destroem-na ao ridicularizar a palavra do Evangelho... Tudo isso, hoje em dia, vai tomando conta da sociedade em que vivemos.

Já diziam os profetas e apóstolos que somos apenas peregrinos neste mundo. Não pertencemos a este mundo. Pertencemos ao Reino de Deus. Mas, como seguimos a palavra de Deus e, portanto, queremos construir já aqui o seu Reino, então vem a perseguição. Com a perseguição, o final é o alto de uma cruz. Mas isso não é motivo de desespero. Se aquele a quem seguimos olhou o mundo do alto de uma cruz e, à beira da morte, ainda derramou seu perdão sobre aqueles que o matavam, cada um de nós também deve carregar a sua cruz e fazer como o Senhor fez.

O mundo, isto é, a pessoa que vive conforme os valores de egoísmo e de morte, não consegue compreender a palavra de Deus. Nunca conseguiu. E olhe que Deus insistiu tanto, quis tanto ser ouvido e, mais ainda, ser compreendido! Pela boca de tantos profetas, o Senhor falou e poucos escutaram. O mundo não quis ouvir! Pelo sangue de tantos mártires, o Senhor falou e poucos entenderam. O mundo, como sempre, não quis ver nem ouvir!

Assim, todos os dias Jesus está sendo crucificado novamente. Portanto, que tenhamos a coragem de Pedro para voltar sempre a Roma para ser crucificado. Não fujamos para longe da cruz! E Roma, hoje em dia, está em todo lugar perseguindo os cristãos. Roma, hoje, é constituída não mais por muros de pedra, mas por governos e órgãos internacionais e por grande parte da mídia! Tenhamos, pois, sabedoria para identificar a Roma que nos crucificará.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os Caminhos do Senhor


Desde os primeiros tempos, muitos profetas e santos sempre tiveram em sua vida a certeza de que Deus dispõe bem todas as coisas. A vontade do Senhor manifesta-se em sua obra e, em todos os tempos e em todos os lugares, sua presença é o que dá a vida e a mantém existindo. O Senhor, quando nos indica um caminho a seguir, sabe bem o que está fazendo. Ele, que é bom e carinhoso, dispõe o melhor caminho que é de sua vontade para nos levar à sua mesa.

Todos nós seguimos um caminho. E este caminho que seguimos deve conduzir-nos à casa do Senhor. O caminho em que andamos, muitas vezes, dá tantas voltas e torna-se tão difícil de percorrer, que nossos pés se cansam e, assim abatidos, desejamos parar. Mas Deus não quer que fiquemos parados, à beira do caminho da vida, a contemplar o sol nascente e o sol poente. É de seu agrado que continuemos sempre caminhando, mesmo debaixo de tempestades e com os olhos empoeirados. É de seu agrado que nunca desistamos, porque Ele jamais desiste de cada um de nós.

Enquanto caminhamos, muitas vezes também caímos sob o peso que a vida nos traz. Mas isso não é motivo para cair em desespero e abandonar a jornada. Jesus, nos últimos momentos de sua vida aqui na terra, caiu sobre a poeira do chão de Jerusalém. E foram três quedas! E sobre seus ombros havia uma cruz – uma pesada cruz. Ele seguiu até ao topo do monte, vestindo-se com a humildade do pó dos filhos de Eva. Jesus, que poucos dias antes, noutro monte, havia mostrado aos olhos humanos todo o esplendor de sua glória, revestiu-se de humildade e seguiu caminhando para o alto do monte calvário.

Caminhar não é fácil, mas é necessário. Assim como aos pássaros certamente não é fácil voar ou aos peixes também possa não ser fácil nadar, para viverem tanto uns quanto outros precisam voar e nadar respectivamente. Pássaro que não voa não é pássaro e peixe que não nada não é peixe. Desta forma, gente que não caminha, que não quer andar, também deixa de ser gente. E gente só pode ser gente e nada mais!

Portanto, saibamos agradar ao Senhor e seguir em seu caminho. O caminho do Senhor pode ser mais difícil e menos confortável, mas, quando termina, deixa-nos nas portas da casa de Deus. E esta é uma verdade maravilhosa, capaz de tornar insignificante toda e qualquer tempestade que cair sobre nós durante a caminhada!


Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 8 de julho de 2008

“Envia Teu Espírito, Senhor, e Renova a Face da Terra”


Palavras bonitas são estas, com tão profundo significado e tão envolvente esperança para o mundo.
Nestes tempos em que a humanidade mergulha em densas trevas de egoísmo, em que a vida vai perdendo para os valores da morte, a palavra de Deus vem em socorro daqueles que, desesperados e desanimados diante de tanta dor e sofrimento, esperam e confiam em seu Criador. A vida, que é reflexo da glória de Deus, é ameaçada e desvalorizada por aqueles que cultuam a si mesmos e aos próprios projetos egoístas. Todo aquele que fere e destrói a obra de Deus, põe-se contra a vontade do Senhor e, voluntariamente, vai se afastando da Fonte da Vida e mergulha irremediavelmente nas profundezas da ausência de Deus, isto é, nos abismos escuros do inferno.
Ora, a vida de inocentes é ameaçada e, para grande desgraça de todos nós, tal ameaça tem o aval da sociedade em que vivemos. Como pode um ser humano, que possui alma e é gente desde o momento de sua concepção, gritar de dentro do seio de sua mãe que deseja viver e admirar as estrelas do céu e sentir o calor do sol? Não lhe é possível fazer isso, mas nem por isso ele deixa de ser gente e se torna uma coisa sem alma, como se não passasse de um pedaço daquela que o gerou.
Vivemos numa sociedade cujos deuses são o hedonismo e a morte. Vivemos numa sociedade cujos valores estão fundamentados no mais refinado egoísmo. Vivemos numa sociedade que levanta a bandeira do serviço voluntário numa mão enquanto ergue uma arma na outra.
E nós, que cremos em Nosso Senhor, que podemos esperar? Como o profeta antigo já dizia, neste mundo somos apenas peregrinos em busca da Pátria Celeste. Viemos de Deus porque Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Assim, sentimos como que uma imensa saudade da casa de Deus, isto é, do Céu, e ansiamos pelo dia em que viveremos eternamente junto de nosso Criador. Entretanto, isto não é motivo nem razão para nos alienarmos das dores, sofrimentos e erros em que a sociedade mergulha de cabeça. Como filhos de Deus, somos co-responsáveis pelos cuidados para com a sua obra. Torna-se um grave erro de nossa parte quando cedemos à tentação covarde de abandonar nossos semelhantes e irmãos em seus próprios erros e caminhos de morte. Se fizermos isso, estamos cultuando o deus do egoísmo e, certamente, não seremos recebidos pelo Senhor ao final de nossa peregrinação aqui na terra.
É triste ver tanta dor ao nosso redor, é doloroso saber que pouco podemos fazer diante de uma cultura massificadora que gera morte e prazer desenfreado. Tantas vezes, nestes últimos tempos, a voz daqueles que crêem em Deus é abafada pelo grito daqueles que cultuam a morte. E quem cultua a morte? São adoradores da morte aqueles que defendem e apóiam o aborto, aqueles que defendem e apóiam a eutanásia, aqueles que exploram os mais simples e humildes, aqueles que se aproveitam sexualmente de crianças e adultos, aqueles que agridem e destroem as maravilhas da criação de Deus... e aqui caberiam muitos outros que praticam atitudes abomináveis diante do Senhor. Neste ponto, é preciso ser franco: todo aquele que é adorador da morte na verdade é adorador do diabo, pois o diabo é o autor do pecado, e o pecado é o causador da morte. Desde o primeiro profeta, passando pelos mártires e santos, até chegar aos dias de hoje, esta é uma verdade que nunca deixou-se calar.
Agora, cansados da poeira da estrada em que caminhamos, todos nós, filhos de Deus e seguidores de Jesus, gritamos e imploramos: “Envia teu espírito, Senhor, e renova a face da terra”!
Como num vendaval terrível, pedimos que teu espírito vivificante venha purificar este mundo tão sujo de pecado e dissipar as trevas do erro que cobrem a humanidade. Queremos que o teu espírito fecunde as mentes daqueles que escrevem as leis da nossa sociedade para que despertem para a vida e reconheçam que há somente um Deus único e verdadeiro, o criador de tudo e de todos, o Senhor que dá a vida e a mantém existindo. Sem Deus, tudo volta ao nada, de onde foi tirado. É apenas isto que a humanidade precisa entender. Apenas isto!

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Memória


Hoje em dia, todos certamente concordarão, vivemos num ritmo acelerado em que tudo chega até nós em quantidades imensuráveis. Uma enorme quantidade que nem sempre vem acompanhada de qualidade.

Somos bombardeados por informações das mais diversas possíveis; lemos jornais, livros e revistas sobre os mais variados assuntos; assistimos filmes e seriados e telejornais que abordam os mais vastos temas... Enfim, vivemos numa sociedade fundamentada na informação e na transformação constante. Então, como agir diante de tudo isso? Melhor ainda, como reagir de forma a guardar apenas o que realmente é importante e necessário para melhorar a nossa vida?

Ora, nossa mente não é capaz de manter tudo que chega a ela sem parar. É preciso que haja critérios de escolha para preservar o que é bom e descartar o que é ruim. E como fazer isso?

Santo Agostinho, doutor da Igreja, indica-nos um caminho ao qual podemos nos lançar confiantes em suas palavras... Ele fala sobre a memória, a memória individual que nos faz e nos constitui como pessoa única. Esta mesma memória, segundo o Hiponense, leva-nos a sentirmos saudades de Deus, nosso criador e salvador, porque traz preservado em nossa alma a lembrança da felicidade eterna.

"Chego aos campos e vastos palácios da memória onde estão os tesouros de inumeráveis imagens trazidas por percepções de toda espécie. Aí está também escondido tudo o que pensamos, quer aumentando quer diminuindo ou até variando de qualquer modo os objetos que os sentidos atingiram. Enfim, jaz aí tudo o que se lhes entregou e depôs, se é que o esquecimento ainda o não absorveu e sepultou... ...Quem poderá explicar o modo como elas se formaram, apesar de se conhecer por que sentidos foram recolhidas e escondidas no interior?..."

Sem memória, o que somos? É na memória que nos reconhecemos como pessoa única diante do mundo e diante de Deus, com todas as responsabilidades que este reconhecimento nos leva a aceitar e cumprir.

Nilson Antônio da Silva

sábado, 1 de dezembro de 2007

A Fé




Jesus falou muitas vezes sobre a fé, mostrando a necessidade de se ter fé e as maravilhas que podemos experimentar através da fé. Tantas pessoas foram curadas pelo Senhor de suas enfermidades porque tudo que tinham era a fé. E tantas vezes ouviram dos lábios do Senhor apenas isto; “Tua fé te curou!”.
Mas adiante, o apóstolo afirma que “a fé é uma maneira de se possuir aquilo que ainda não se tem”. Ora, a fé é uma maneira de alcançarmos aquilo que buscamos e conseguirmos aquilo que precisamos, ainda que à nossa volta tudo nos prove que não encontraremos e nem conseguiremos. Se a realidade, fria e impessoal, afirma que não podemos, a fé nos prova que já temos tudo que precisamos. A fé destrói a frieza da realidade e toca no íntimo de nossa alma, consolando-a e mantendo-a viva. Somente a fé nos move em direção a Deus e nos leva a superar a dor da miséria humana. A fé é algo que leva à cura do corpo mas, antes disso, ela cura por inteiro a alma e o coração. A fé age de dentro para fora e, agindo assim, brota da presença do Espírito de Deus que habita em cada ser humano. Assim, a fé é um dom de Deus, mas também é uma escolha do homem. Somente Deus dá a fé, mas ela precisa ser aceita no mais profundo do coração, pois só aí ela o tocará e o conduzirá em direção ao Senhor.
Se a fé se torna pequena e frágil em nosso coração, corremos o risco de simplesmente afundar no meio do mar, como Pedro ao caminhar em direção ao Senhor sobre as águas. Mas, se a fé se torna tão imensa que transborda de dentro da alma, ela é capaz de conseguir o melhor e o mais valioso para cada pessoa. Lembremos da mulher enferma que tocou as vestes de Jesus e foi curada. Quanta fé ela teve e quanta coragem e determinação a sua fé lhe deu para que ela rompesse a multidão e alcançasse o Senhor!
Se nós tivéssemos fé um pouquinho maior que fosse, quantas dores em nosso corpo e em nossa alma poderíamos evitar, quantas feridas poderiam ser curadas em nossa vida! Quando temos fé que o Senhor é capaz de cuidar de nossa vida e de nos dar tudo que precisamos, nossa vida se torna mais leve e mais agradável. O cansaço se torna menos penoso e a dor fica branda, pois o nosso coração pode repousar tranqüilo enquanto a nossa alma se volta para a contemplação do amor misericordioso de Deus.
São felizes todas as pessoas que enfrentam a miséria do sofrimento humano e, no final, ainda são capazes de dizer vitoriosas: “Mantive a fé!” E são mais felizes ainda porque assim ouviram e praticaram a palavra do Senhor em suas vidas.


Nilson Antônio da Silva

sábado, 27 de outubro de 2007

A Vida


Deus, eterno e perfeito, deu-nos a vida por amor e por amor mantém a nossa existência. Deus, vivo e onipotente, por sua vontade quis que pudéssemos viver aqui na terra e, um dia a seu lado, vivermos na eternidade contemplando a sua glória e gozando da felicidade perfeita. Deus, no infinito de sua sabedoria, deu-nos a capacidade de sabermos da sua existência e pôs em nosso coração o desejo de estarmos a seu lado. Deus encheu-se de amor por nós e derramou em nossa alma este amor tão ardente e tão magnífico.
Jesus, a Palavra de Deus que se fez homem e quis compartilhar de nossa vida humana, esteve na terra para nos mostrar as maravilhas que o Senhor preparou para cada um de nós na eternidade. Jesus experimentou as dores e as alegrias que sentimos, enfrentou as dificuldades e solidões por que passamos, conviveu com amigos e parentes da mesma forma como também nós convivemos.
Jesus, quando chegou diante do túmulo onde tinham colocado Lázaro, comoveu-se profundamente e chorou pelo amigo. Ora, Jesus e Lázaro eram amigos e o Senhor sempre deu um imenso valor às amizades. Jesus sofreu a dor da perda do amigo estimado, como tantas vezes também nós sofremos. Por isso, o Senhor chorou. E tão grande foi a dor que Jesus sentiu que ele, que é o Senhor da vida, mandou que Lázaro se levantasse e voltasse a viver. E ele saiu vivo!
A vida, dom mais perfeito de Deus, é a manifestação mais perfeita da glória de Deus. Viver é glorificar a Deus e reconhecê-lo como Senhor e Criador de todas as coisas. Reconhecer o direito à vida é reconhecer a soberania de Deus sobre toda a criação. Tudo foi feito por Deus, por isso tudo pertence a Deus. A vida de cada pessoa pertence a Deus desde o princípio até à eternidade. A vida de cada ser vivente pertence a Deus desde o princípio até o seu fim.
Quem ama a Deus, ama a vida que o Senhor dá e respeita a vida de seu semelhante e a vida de todos os seres viventes.
Nilson Antônio da Silva

sábado, 6 de outubro de 2007

O Amor A Deus


Chegará um tempo em que todos nós contemplaremos a face de Deus e olharemos em seus olhos frente a frente. Todos nós, independente de como tenhamos vivido, ficaremos diante de Deus e olharemos Aquele que é nosso Criador.
Em um de seus livros, o notável escritor C.S. Lewis narra numa bela alegoria o que acontece diante da contemplação da face de Deus. Diz ele, de maneira muito bonita que, quando as pessoas se apresentavam diante do Leão Aslam, metáfora de Jesus, semelhante ao Leão de Judá, algumas eram tomadas de um infinito amor por ele e outras eram tomadas de um ódio terrível por ele. Aquelas que se enchiam de amor pelo Leão permaneciam ao seu lado direito e aquelas que se enchiam de ódio por ele atiravam-se desesperadas nas sombras da escuridão do seu lado esquerdo.
Ora, estas palavras de Lewis refletem de forma poética o que Jesus afirmou tantas vezes sobre aqueles que o amam e sobre aqueles que o odeiam. Jesus chama de benditos àqueles que o amam e de malditos àqueles que o odeiam. E mais, aos benditos ele convida-os a tomarem posse do Reino do Céu e aos malditos ele manda que vão para o fogo eterno. Aos que têm um bom coração Jesus chama-os de ovelhas e aos maus ele os chama de cabritos.
Estas são palavras duras, mas são palavras de Jesus! Amar a Deus é uma escolha livre assim como odiar a Deus também é uma escolha livre. A decisão é tomada por cada um livremente e ninguém pode decidir por outra pessoa. Encher-se de amor por Jesus e permanecer ao seu lado é uma escolha livre e pessoal assim como encher-se de ódio pelo Senhor e atirar-se nas trevas também é uma escolha livre e pessoal.
As pessoas de bom coração, ainda aqui na terra, já contemplam na fé a face de Deus e se inflamam de amor por ele. E as pessoas de coração mau, também aqui na terra, já estão se atirando nas trevas e odiando Jesus. O bom coração, que busca fazer a vontade de Deus, é cheio de luz e de amor aos outros. Já o coração mau, que nega fazer a vontade de Deus, é cheio de egoísmo e de ódio a todos e a tudo.
Como Jesus disse, não basta sair por aí dizendo ‘Senhor, Senhor”. É preciso viver a palavra de Deus, é preciso vivenciar no cotidiano o evangelho, é preciso carregar a cruz de cada dia e seguir Jesus ao alto do Calvário. Somente assim seremos chamados de benditos e nosso coração encher-se-á de amor a Deus.
Nilson Antônio da Silva

sábado, 18 de agosto de 2007

A História de Lázaro


A história de Lázaro contada por Jesus traz em si muitos significados. Além do sentido primeiro, que fala da vida eterna ao lado de Deus e da condenação ao fogo eterno, podemos ver o sentido da parábola em relação aos nossos sentimentos.
Durante a vida, podemos ocupar o lugar do rico opulento e arrogante ou podemos tomar o lugar do mendigo humilde e doente. O mais grave é que o lugar que ocuparmos é de escolha livre e espontânea nossa. Não somos obrigados a ser um ou outro. Se quisermos, podemos perfeitamente ser igual ao homem rico, ter nossa mesa bem farta, viver fazendo festas, conviver com aqueles que enchem nossa casa em dias festivos. Se quisermos, podemos perfeitamente ser igual ao homem pobre, ter um coração humilde, cheio de feridas e sofrimento, mendigar migalhas e migalhas... E qual é a diferença? Depende do final da história que quisermos para nós.
Ora, quantas vezes não ficamos à porta de corações mendigando migalhas de compreensão que nos são negadas, mendigando migalhas de perdão que nos são jogadas às vezes por obrigação, mendigando migalhas de carinho que mal alcançam nossas mãos, mendigando migalhas de amor que são levadas pelo vento... Quantas vezes a única companhia que temos é dos cães e o único gesto de acolhimento é dos mesmos cães a lamberem as feridas de nossa alma? Quantas e quantas vezes nosso olhar sedento e faminto se perde nas mesas fartas e festivas, às quais nos é negado estar presentes?
E nossa esperança? Onde fica?
Repousa nos braços do Senhor nosso coração e nossa alma anseia pela contemplação da face de Deus. Somente o infinito amor de Deus é capaz de preencher o infinito vazio de nossa alma. Somente a infinita ternura de Deis é capaz de curar as feridas dolorosas de nosso coração. Somente em Deus encontraremos o repouso e a paz porque anseia cada um de nós.
Na eternidade, junto de Deus, teremos realizados plenamente tudo de bom que sentimos para com aqueles com quem convivemos. Junto de Deus, amaremos eternamente todos aqueles a quem amamos e estaremos eternamente ao lado daqueles que nos são queridos. Também é preciso lembrar que, na eternidade, distante de Deus, haverá um terrível tormento causado pelo afastamento daqueles com quem convivemos. Longe do Senhor, existirá uma dor eterna feita de ódio a Deus, de ódio aos outros e de ódio a si mesmo.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Acolher A Amizade De Deus


Um dia, um jovem conhecedor das Escrituras e que procurava praticar e viver a palavra de Deus, encontrou-se com Jesus e então conversaram. Naquele momento, Jesus o acolheu com profunda ternura e encheu-se de amor por ele. E pediu que ele largasse tudo que tinha e viesse segui-lo. Entretanto, o jovem pôs as suas posses e os seus compromissos acima do amor de Jesus, virou-se e foi embora cheio de tristeza. E Jesus também ficou profundamente triste por ele ter ido embora. A tristeza do jovem foi por não ter coragem de deixar tudo, por não ser capaz de abrir mão de seus bens e seus compromissos para poder se entregar à amizade que Jesus lhe oferecia. A tristeza de Jesus foi por ver o amor que ele oferecia gratuitamente ao jovem não ser acolhido, ou seja, toda a amizade que o Senhor lhe oferecera fora rejeitada. E isto entristecia profundamente ao Senhor. Ora, Jesus amou todos os seus amigos, tanto que quis chamá-los de amigos e não de servos, e deu sua vida por eles. E neles, por todos nós que somos hoje a Igreja. Mas Jesus nunca forçou ninguém a aceitar a sua amizade nem nunca forçou ninguém a permanecer em sua companhia. Daí a sua tristeza quando viu o jovem indo embora, por que ele desejava que aquele jovem livremente aceitasse a sua amizade.
E ele não aceitou...
Deus é muito elegante e muito educado. Ele não entra à força em um coração que não se abre para recebê-lo livremente e com alegria. Deus não força ninguém a acolhê-lo e amá-lo porque acolher e amar a Deus deve ser uma atitude livre e espontânea de cada pessoa. O Senhor oferece a sua amizade a todas as pessoas, mas cabe a cada um aceitar e cultivar essa amizade. A amizade que o Senhor Jesus oferece é plena, absoluta e incondicional, mas nunca é imposta, porque deve ser simplesmente aceita. E quando a amizade do Senhor é aceita, o Senhor a torna única e exclusiva com cada um e, então, toda a bênção e toda a graça inunda a vida! Assim, Jesus tem a liberdade de permanecer no coração e, como ele mesmo disse, entrar e fazer a refeição junto com o dono da casa. E o dono da casa também tem a liberdade de entrar na casa do Senhor, fazer a refeição com ele e com ele permanecer eternamente. E, para todos aqueles que são amigos de Deus, a casa do Senhor, que é o próprio Céu, permanece sempre aberta e sempre acolhedora.
Enquanto aqui na terra não formos capazes de chorar entristecidos ao ver indo embora aqueles a quem amamos e não formos capazes de abrir livremente nosso coração àqueles que nos querem bem, jamais conseguiremos experimentar a amizade de Deus. Se não conseguirmos amar aqueles a quem vemos e com quem convivemos, como poderemos amar a Deus? Se não conseguirmos abrir nosso coração àqueles que caminham conosco na vida, como vamos abrir a porta de nosso coração para Deus?

Nilson Antônio da Silva

Jerusalém! Jerusalém!


Certa vez, Jesus, ao olhar a cidade de Jerusalém à distância, chora por ela e lamenta que esta não queira acolher a mensagem de paz que tantas vezes o Senhor lhe enviara. Deus sempre quis cuidar de Jerusalém, mas ela nunca compreendia e recebia o Senhor, pois fechara seus olhos, tapara seus ouvidos e endurecera seu coração à palavra de Deus. Assim, matava os profetas e apedrejava os santos que o Senhor enviava para abrir seus olhos, destapar seus ouvidos e amolecer o seu coração. E deste modo agiu até ao ponto de matar o próprio filho de Deus. Por isso tudo, Jesus chorou sobre Jerusalém e, mais ainda, chorou porque a amava e desejava que ela o escutasse e acolhesse.
E hoje, não acontece a mesma coisa? Só que, em lugar de Jerusalém, não é o mundo inteiro que age da mesma forma? Não é o mundo inteiro que fechou os olhos, tapou os ouvidos e endureceu o coração à palavra de Deus?
Todos os dias, o mundo mata profetas e santos que o Senhor Deus envia para serem a sua voz e as suas mãos no meio da humanidade. Todos os dias pessoas estão morrendo por falta de cuidados físicos e espirituais; crianças inocentes e indefesas estão morrendo na mão de assassinos em clínicas abortistas com o aval de médicos, enfermeiros e pais desinformados e, o mais grave, com o possível incentivo do governo se aprovadas as leis abortistas que tramitam no Congresso Nacional. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pela língua ferina e impiedosa de pessoas de coração duro. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pelas atitudes omissas ou manipuladoras de quem pensa somente em si mesmo e busca apenas seu próprio bem-estar.
No entanto, sejamos realistas: da Jerusalém que matava os profetas, restaram apenas ruínas de um muro; do Império Romano que lançava cristãos às feras, não se fala nem mais a língua latina; dos nazistas que queimaram judeus em fornos restou apenas a vergonha por tais atos... e por quê? Porque Deus faz justiça aos seus santos e profetas; porque Deus não permite que o mal prevaleça sobre a sua palavra de paz; porque a morte de pessoas na miséria e no abandono, o assassinato de crianças ainda no útero e o mal causado pelo egoísmo bradam a Deus por justiça e Deus age. Deus não deixa desamparados aqueles que a Ele se entregam e constantemente ouve as súplicas de quem sofre no corpo e na alma.
Deus é bom e Deus é justo. Deus age e amolece os corações mais duros. Se um coração se recusar a acolher a palavra de Deus, o Senhor chora de dor por causa desse coração, como chorou sobre Jerusalém, mas não o força a aceitar a sua palavra, assim como não forçou Jerusalém... e dela restaram somente ruínas de um muro.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O Bem-Te-Vi

Nessas manhãs em que o tempo já começa a ficar mais frio, o verão vai se distanciando e as últimas chuvas caem esparsas, o sol desponta e com ele os passarinhos começam seu dia. Aqui, ainda podemos ouvir, entre os barulhos urbanos, a algazarra de pássaros na madrugada. São tantos e tão festivos que, apurando nossos ouvidos, podemos sentir a profunda perfeição da criação de Deus. Podemos perceber a harmonia com que o Senhor dispôs todas as criaturas para que, vivendo e povoando o mundo, refletissem a glória de seu poder. A grande maravilha da obra de Deus é isto: a criação inteira glorifica o nome de seu Criador simplesmente existindo da forma como o Senhor a fez. Um pássaro não tem entendimento para conhecer a Deus, mas sua vida, por sua simples e pura existência, é um contínuo ato de gratidão ao Senhor.
Costumo observar um bem-te-vi que, quase todas as manhãs, pousa sobre uma antena de televisão e canta por longos minutos. Vai cantando e, em certo momento, outro mais longe também canta. E outro mais além... Desse modo, em alguns minutos, é possível ouvir um verdadeiro coro de bem-te-vis cantando. Simplesmente cantam. E cantam maravilhosamente belo! Cantam como nenhuma tecnologia humana pode fazer igual nem ninguém pode copiar.
Jesus disse que ninguém, por mais que se preocupe, pode acrescentar um único segundo à sua vida por vontade própria. Tudo é dado por Deus e por Deus é tirado. Assim, é mais proveitoso e mais saudável que as pessoas deixem tantas preocupações inúteis que apenas dificultam suas vidas, mas que em nada é capaz de melhorá-las e muito menos aumentá-las, e passem a viver em plenitude como o Senhor as criou. Ao agir deste modo, estão fazendo como o bem-te-vi que simplesmente pousa numa antena de televisão quase todas as manhãs para cantar, fazendo o melhor que o Senhor lhe concedeu fazer.
Deus deu a cada pessoa muitos dons, os quais devem ser assumidos e vividos em plenitude. Cabe ao que sabe ensinar ao que não sabe, ao paciente escutar o que é estourado, ao compreensivo ouvir o desesperado, ao que tem ajudar o que nada possui... e assim por diante.
Deus deu ao bem-te-vi a capacidade de cantar bem. E ele canta! A cada pessoa sobre a face da terra, o Senhor deu uma infinidade de dons. E cada pessoa deve usar os dons recebidos de Deus e, com isso, dar glórias ao Criador.

Nilson Antônio da Silva

Pentecostes



A última semana de Jesus na terra já havia passado. Seus últimos dias em Jerusalém, quando ele foi preso, torturado, julgado e condenado à morte na cruz já eram lembrados e comentados pelo povo como um acontecimento que se distanciava no tempo. Entretanto, seus discípulos e demais seguidores também comentavam entre si um fato que os deixava repletos de alegria: Jesus ressuscitou e estava vivo! Ele aparecera a Pedro, a Maria de Magdala e a vários de seus discípulos. Todos eles, contudo, evitavam fazer comentários sobre a ressurreição de Jesus em público por medo das autoridades judias, as mesmas que haviam condenado o Senhor à morte.
Finalmente, passados quarenta dias o Senhor Jesus subiu aos céus diante dos apóstolos e discípulos, tendo antes lhes dito que enviaria a eles o Espírito Santo para que os fortalecesse e assistisse enquanto estivessem no mundo. Enquanto isso, os apóstolos e Maria reuniam-se em todo primeiro dia da semana para orar e fazer memória da vida, morte e ressurreição de Jesus.
No dia de Pentecostes (cinqüenta, qüinquagésimo em grego), que era uma festa judaica tradicional celebrada cinqüenta dias depois da Páscoa, Maria e os apóstolos estavam em Jerusalém reunidos no mesmo lugar, que é chamado de cenáculo. A festa de Pentecostes era celebrada em comemoração às colheitas e, nessa época, judeus de todas as partes do mundo iam a Jerusalém. Vinham do Egito, da Macedônia, da Grécia, de Roma, da Pártia, enfim, de todos os lugares do mundo conhecido na época.
Enquanto Maria e os Apóstolos estavam reunidos, dentro do lugar onde estavam surgiu um ruído muito forte vindo do céu, como se estivesse soprando um vento muito forte, o qual encheu a casa inteira. Então, “apareceu-lhes algo como línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Eles ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, como o Espírito Santo lhes concedia falarem.”
Com todo aquele barulho e ao ouvirem aqueles homens simples falando em tantas línguas diferentes, o povo começou a se reunir em frente à casa onde estavam. E todos se perguntavam admirados e impressionados o que estava acontecendo ali.
Nisso, Pedro tomou a palavra e falou a todo o povo sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo e a realização das promessas de Deus anunciadas pelos profetas. Naquele momento, a Igreja estava sendo revelada ao mundo inteiro! A salvação prometida por Deus e anunciada desde os tempos mais antigos pela boca dos profetas fora cumprida por Jesus e agora ao mundo inteiro isto era anunciado. A promessa é para os judeus e os seus filhos e também para todos aqueles em todos os tempos que ouvirem o apelo de Deus, conforme disse Pedro. Ou seja, o Espírito Santo foi, é e sempre será derramado sobre todos aqueles que são batizados e crêem em Jesus Cristo.
O “Espírito Santo procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, conforme professamos no Credo Niceno-Constantinopolitano.
O Espírito Santo, enviado aos homens e mulheres, reúne todos os povos em todos os tempos e lugares no Corpo de Cristo, isto é, na Igreja, para que estes recebam de Cristo, sacerdote eterno, as graças necessárias para que possam chegar à vida eterna.
O Espírito Santo completa toda a obra salvífica de Cristo, reunindo todos os homens e mulheres num só Corpo, sendo Cristo a cabeça deste corpo e este mesmo Espírito Santo é o princípio vivificante, isto é, o que dá vida e faz viver este corpo. É o Espírito Santo que nos torna “filhos no Filho” e nos impele a voltarmos ao Pai.
A missão do Espírito Santo é fazer com que estejamos na comunhão do Filho – Jesus - com o Pai, santificando-nos e tornando a cada um de nós filho com Jesus.
O Espírito Santo é o Amor do Pai e de Jesus que, derramado em nossos corações, é um fogo que arde e que aquece, tornando-se força que nos une e nos aproxima. Os homens, ao receberem o Espírito Santo, passam a viver numa profunda e verdadeira comunhão entre si, estabelecendo-se em seu meio a confiança, a paz e a concórdia, outrora perdidas por causa do orgulho e da discórdia.
O Espírito Santo guia a Igreja nos caminhos da História, fazendo com que ela permaneça fiel ao Senhor Jesus e sempre encontre os caminhos e os meios eficazes para anunciar o Evangelho a todos os povos da Terra. O Espírito Santo derrama constantemente e sem medidas os seus dons sobre todo o povo de Deus, sustentando-o para que possa testemunhar continuamente a Boa Nova no mundo. Toda pessoa que foi batizada e crismada recebe os carismas do Espírito Santo, para que possa atuar com determinação e persistência dentro da Igreja, no serviço aos irmãos e no anúncio da Palavra de Deus.
Todas as pessoas que buscam guardar a Palavra de Deus com esforço de conversão e sinceridade em seu coração e, ainda, dedicam-se à oração e põe todo seu empenho em anunciar e testemunhar o Evangelho, estas pessoas vivem do Espírito Santo.
Os dons do Espírito Santo são sete: Fortaleza, Piedade, Sabedoria, Conhecimento, Conselho, Entendimento, Temor de Deus. Estes dons são chamados de Dons de Santificação. A Fé, Interpretação, Profecia, Cura, Línguas, Milagres, Discernimento, Ciência e Sabedoria são os chamados Dons Carismáticos.
Todos estes dons, o Espírito Santo os derrama de modos diversos sobre os cristãos, para que, acolhendo e abraçando com amor o dom recebido, entreguem-se de coração e alma a servir e amar a Deus.
É o Espírito Santo quem dá a verdadeira alegria, conforme nos diz a própria Mãe de Deus, ao proclamar repleta do Espírito Santo que “o meu espírito se alegra em Deus meu salvador!” Todos os patriarcas e profetas, todos os mártires e santos entregaram-se e abriram seus corações à ação do Espírito Santo, e este, agindo neles, proclamou as maravilhas e a glória de Deus. E continua agindo e proclamando em todos os tempos e lugares!


Nilson Antônio da Silva

A Figueira


O evangelista Lucas narra-nos a história contada por Jesus a respeito de um homem que plantara uma figueira em sua vinha. Passados três anos, este homem manda ao viticultor que corte a figueira, pois ela não produzira nenhum fruto até então. O viticultor, enchendo-se de compaixão e misericórdia pela figueira, pede ao dono que espere mais um ano. Então, se a figueira continuar sem produzir frutos, ele a cortará.
Não sabemos o que houve passado um ano... não sabemos se a figueira produziu algum fruto... ou se foi cortada. Mas sabemos que aquele viticultor encheu-se de amor e carinho pela figueira. Sabemos que ele quis dar mais uma chance para que ela produzisse frutos. Sabemos que ele acreditava na razão da existência daquela árvore.
Ora, ele a plantara e dela cuidara desde que lançara do solo seu primeiro broto. Acompanhara os despontar de suas primeiras folhas, despejara as primeiras gotas d’água na pequenina planta. Enfim, ela nascera sob seus cuidados e, sob seu olhar de homem que entende a vida, crescera e se tornara uma árvore.
Façamos, pois, um paralelo com a nossa vida. Temos, muitas vezes, coisas bonitas e vistosas, como folhas viçosas, que enfeitam nosso viver e nos destacam no meio em que vivemos. Somos, muitas vezes, bem vistos e como a figueira que se destaca entre os ramos do pé de uva, estamos em destaque por entre as pessoas onde vivemos. Muitas vezes, por nos sentirmos diferentes e maiores, assim como a figueira entre as folhas da videira, queremos ser considerados os melhores e mais perfeitos no lugar em que vivemos.
Com tudo isso, acontece que esquecemos de produzir frutos e nos tornamos iguais à figueira, somente vistosos, mas sem produzir. Ou seja, tornamo-nos inúteis ocupantes do solo onde outros poderiam produzir muito.
O Senhor Jesus, que é misericordioso e compreensivo, espera que cada um de nós produza muitos frutos para a melhora e transformação do mundo e das pessoas com as quais convivemos. O Senhor acredita nas nossas possibilidades e nos ajuda, dando a cada um de nós o conforto e a força necessários para que produzamos frutos saborosos. Ele, o sacerdote que se apresenta diante de Deus Pai oferecendo-se a si mesmo em sacrifício pelos nossos pecados, sempre cuida com carinho de nossos corações ingratos.

Nilson Antônio da Silva

A Amizade


A amizade é um sentimento de extremo valor aos olhos de Deus. E este valor incalculável se deve ao fato de que toda amizade é, em sua essência, o reflexo da amizade que Deus tem por todos os seres humanos e por cada um individualmente. Deus dedica a cada pessoa uma amizade única, infinita e de um valor inestimável. Assim, para Ele, cada pessoa é o melhor amigo e Ele se deixa fazer o melhor amigo de cada pessoa. E é dessa forma que, embora sejam cerca de seis bilhões de pessoas no mundo, Deus se mantém fiel e companheiro de cada uma delas, dedicando-se a cada uma como fosse a única que existe. Deus escuta e caminha ao lado de cada um, é companheiro e está sempre presente, é compreensivo e entende as fraquezas e dificuldades porque passamos.
Jesus, durante todo o tempo em que esteve vivendo nas terras da Galiléia, foi cheio de amor e compreensão com seus amigos. Ele dizia as palavras certas para que eles vivessem bem. Ele não os adulava, mas sabia quando precisavam de palavras de conforto e carinho. O Senhor perdoou Pedro, teve o discípulo amado recostado em seu peito, repreendeu com doçura a falta de fé de Tomé, alegrou-se com os discípulos quando estes voltaram de sua primeira missão entre os judeus... Ora, tudo isso comprova o fato de que a amizade verdadeira se faz com sinceridade e dedicação; se faz com palavras de carinho e com palavras duras quando é preciso.
O Senhor escolheu livremente seus amigos e deixou que cada um também livremente escolhesse estar ao lado dele. A ninguém forçou, a ninguém cobrou... Mas teve seu olhar repleto de tristeza quando viu o jovem rico se afastar por achar muito difícil a amizade que o Senhor gratuitamente oferecia a ele. A amizade verdadeira não força, mas exige dedicação e gratuidade. E exige muito. E quem não é capaz de compreender e aceitar este fato, cai na armadilha da bajulação ou, então, desiste e vai embora. E não deixa marcas!
Algumas das mais belas palavras de Jesus fazem referência à amizade: “Eu os chamo de amigos porque o amigo sabe o que a amigo faz”... E mais: “Não há maior amigo do que aquele que dá a vida por seus amigos”. E conta-nos o evangelista que Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, enquanto o povo ao redor dizia: “Vejam como ele o amava!”
É preciso dedicarmos tempo e amor às nossas amizades, para que elas não se percam nos caminhos de nossa vida. Caminhos estes que, muitas vezes, são tortuosos e cobertos de espinheiros. Ora, do que nos adianta sempre fazermos novos amigos, se não soubermos conservar aqueles que já temos?

Nilson Antônio da Silva

A Preciosidade da Criação


A criação inteira é preciosa aos olhos de Deus e Ele sempre se preocupa com a obra de suas mãos e cuida de tudo que criou. O universo todo, com todos os seres vivos e todas as coisas inanimadas, recebe constante e incessantemente os cuidados e o carinho do Senhor.
Jesus, enquanto esteve no mundo, falava o tempo todo de passarinhos e ovelhas, de peixes e flores do campo, de trigais e pés de figo... Enfim, tudo aquilo que foi feito por sua palavra, dele recebeu um valor e afeição especiais. E continua recebendo e sempre receberá. As águas, os mares, as pedras – a Simão o Senhor deu o nome de pedra – são criações de Deus e existem unicamente graças à vontade onipotente e incondicional do Senhor. Deus tirou do nada a criação inteira e, por estar Sua vontade onipotente presente nela, mantém esta mesma criação existindo. Isto é, sem a vontade de Deus a criação inteira volta ao nada, de onde foi tirada.
Todas as coisas são criaturas de Deus e, embora não possuam a capacidade de reconhecer o Senhor e amá-lo, prestam a Ele louvor e dão-Lhe glória pelo simples fato de existirem. A criação nem sequer tem consciência de que tem um Criador mas, assim mesmo ou talvez por isso mesmo, é imensamente amada pelo Senhor. O próprio fato de existir comprova a grandiosidade e a gratuidade desse amor incondicional de Deus.
De outro lado, todos nós, homens e mulheres, somos também criados por Deus e a nós o Senhor Deus deu a capacidade de reconhecer que Ele existe, é o Criador e que tudo que existe foi criado por Ele. Portanto, temos o dever de amar a criação com o coração semelhante ao do Senhor e cuidar de sua obra com ternura e respeito.
Deus nos deu a capacidade de conhecermos a nós mesmos como seres humanos e a capacidade de reconhecermos a Deus como Senhor e Criador de tudo que existe. Assim, Deus nos concedeu a graça de participarmos com Ele da sua obra criadora e, ainda, deu-nos a graça de também juntos com ele participarmos da ação de governar a criação. Ou seja, é de nossa responsabilidade cuidar bem da criação de Deus, para que esta siga através dos tempos de acordo com a vontade do Senhor. Somos criaturas, a quem por amor gratuito o Senhor nos fez seus filhos, e é preciso que nossa vida seja também um louvor agradável a Deus.
Deus nos tirou do pó da terra, a qual veio do pó das estrelas, as quais vieram do pó do universo... viemos do pó, voltaremos ao pó; tudo veio do nada e se desfará em pó... Um dia, chegará a hora em que o Senhor “fará novas todas as coisas” e, assim, tudo existirá eternamente na contemplação de Deus face a face.

Nilson Antônio da Silva

A Perfeição E A Beleza De Deus


O Senhor tem muitos projetos para nós. Ele quer que realizemos muitas coisas boas durante nossa vida, para que o mundo se torne um lugar cada vez melhor e para que as pessoas também se tornem melhores para si mesmas e para com aqueles com quem convivem.
Deus é bom e bom é tudo o que ele faz. O mundo é bom porque foi criado livremente pela vontade do Senhor, que é cheio de bondade e de amor. Todas as coisas belas da natureza que nos cercam e todo o universo que nem sequer imaginamos o tamanho, refletem a beleza infinita e pura de Deus. E mais, uma vez que o Senhor tudo fez e tudo pôs em nossas mãos para nosso benefício, expressam o imensurável amor que Deus tem para conosco. Deus nos ama e quer que vivamos em busca do amor puro que gera a paz, a justiça e a harmonia entre todas as pessoas. Deus nos ama e, embora seja seu amor para conosco absolutamente incondicional, é de seu agrado que reconheçamos seu amor e também o amemos acima de tudo e de todos.
Todos nós somos perfeitos e belos porque fomos criados por Deus, que faz tudo perfeito e belo, mas, dominados por nossos sentimentos egoístas e mesquinhos, escolhemos nos distanciar da perfeição e da beleza do Senhor e seguirmos por caminhos que conduzem à imperfeição e à feiúra. Feio é tudo aquilo que se recusa a refletir a beleza que provém de Deus, ou seja, refletir o amor e a bondade de Deus. Imperfeito é tudo aquilo que se afasta da presença de Deus e escolhe seguir as próprias vontades e os próprios desejos egoístas.
Toda pessoa que busca viver conforme a vontade de Deus passa a refletir em seu ser toda a beleza e toda a luz do Senhor. É como alguém que, de manhãzinha, se vira para o nascente para contemplar o esplendor do sol que se levanta. Enquanto admira o espetáculo da aurora, sente que, a cada segundo que passa, mais a luz e o calor vão aumentando e envolvendo tudo. Assim é quem se volta para a glória de Deus e se entrega à sua vontade e à sua misericórdia.

Nilson Antônio da Silva